Por que OpenAI escolheu Brasil para 1º escritório na América fora dos EUA

18 de Ago de 2026 - 05:15
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Por que OpenAI escolheu Brasil para 1º escritório na América fora dos EUA

O Brasil é o primeiro país do continente, fora os Estados Unidos, a ter um escritório da OpenAI. E a razão disso está relacionada ao número de usuários do ChatGPT e à quantidade de desenvolvedores no país.

O que aconteceu

O Brasil foi escolhido, segundo a empresa, por reunir fatores únicos. Segundo Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações da OpenAI:

  • o país está entre os três primeiros do mundo em número de usuários ativos do ChatGPT, com 50 milhões de usuários mensais;
  • ocupa o segundo lugar em número de desenvolvedores, que criam soluções por meio de ferramentas da companhia;
  • o Brasil envia 215 milhões de mensagens no ChatGPT por dia, a maior taxa do mundo, e é líder em geração de imagens e no uso do recurso de voz.

Apesar da oficialização do escritório, a gigante de IA está no Brasil há algum tempo. Desde o ano passado, há profissionais trabalhando no ramo de relacionamento com o governo, além de outros na área de relações públicas e parcerias. Segundo a OpenAI, a operação local deverá funcionar como um centro de operações para a América Latina.

O plano é ter uma equipe central que traga a cultura da empresa e seja composta por embaixadores e parceiros de confiança em todos os setores da sociedade
Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, em teleconferência com jornalistas

Programas para o Brasil

A empresa de IA anunciou parcerias para o mercado brasileiro:

  • Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA): para fornecer educação em IA e capacitar e treinar a próxima geração de alunos;
  • Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa): projeto envolve pesquisa para uso confiável de IA na matemática e modelos distribuídos de descoberta científica;
  • Hospital das Clínicas da USP: desenvolvimento de um protótipo para organizar informações clínicas no Sistema Único de Saúde (SUS).

A OpenAI ainda assinou uma carta de intenções para o uso do ChatGPT pela administração da cidade de São Paulo. Especificamente, foi assinado um memorando de entendimento com a Prodam (empresa de tecnologia e comunicação do município de São Paulo), mas não foi detalhado exatamente como seria esse uso.

Para as eleições no Brasil, . A companhia diz se comprometer em não favorecer candidatos e a direcionar eleitores para fontes confiáveis durante buscas. Além disso, a plataforma informa que terá um sistema para ajudar a identificar deepfakes criados no ChatGPT.

A OpenAI busca fidelizar os desenvolvedores

O ramo de IA passa por grande competição, e isso ajuda a explicar a presença da OpenAI no Brasil. Embora tenha ajudado a popularizar os chatbots de IA generativa com o ChatGPT, a OpenAI enfrenta forte concorrência da Anthropic e dos modelos chineses, como Qwen (Alibaba) e Kimi (Moonshot AI).

Enquanto a OpenAI e a Anthropic apostam principalmente em modelos proprietários, empresas chinesas como Alibaba e Moonshot AI têm disponibilizado modelos com graus maiores de abertura, incluindo versões que podem ser executadas localmente. Os modelos proprietários costumam ser acessados por meio de serviços online e APIs controladas pelas empresas.

Na prática, os desenvolvedores usam o que resolve o problema deles. Diversos modelos chineses reduziram a distância em testes de desempenho para sistemas líderes dos Estados Unidos. Mesmo que não tenham o mesmo nível de desenvolvimento, os modelos asiáticos têm sido cada vez mais adotados, sobretudo por startups.

A operação no segundo maior mercado de desenvolvedores é estratégica. A companhia cita a importância de se engajar com a comunidade local para expandir o uso de IA e que, de preferência, sejam as ferramentas da OpenAI.