Polícia prende grupo que faturou R$ 7 milhões com venda de dados vazados
Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal deteve membros de uma organização , usada como base para golpes, de acordo com a própria corporação.
O que se sabe sobre a operação
Operação Perseu7 foi deflagrada na manhã de quinta-feira, 24 de setembro, pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PCDF. A ação, ligada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor), busca desarticular o grupo responsável pelo serviço ilegal de consulta de dados.
Mais de 80 policiais cumpriram 13 mandados de prisão e ordens de busca e apreensão em seis estados. As diligências ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. Dos mandados de prisão, 9 pessoas foram detidas preventivamente, e há quatro pessoas foragidas (sendo que duas delas, consideradas as cabeças do grupo, estão nos Estados Unidos).
Plataforma cobrava mensalidade e permitia consultar informações detalhadas a partir de CPF ou CNPJ. Entre os dados disponíveis estariam nome, filiação, endereço, documentos, vínculos e até processos judiciais de qualquer cidadão, conforme a PCDF.
Investigação aponta que as bases tinham centenas de milhões de registros e vinham de vazamentos e exploração de falhas em sistemas. A polícia cita vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia como fontes para abastecer o banco de dados.
PCDF afirma que o serviço funcionava como "fonte" para fraudes e ajudava criminosos a montar golpes com informações reais. Um exemplo citado é o , em que o criminoso usa dados do processo da vítima para se passar pelo defensor e pedir pagamentos.
Polícia diz ter identificado 13 integrantes com tarefas divididas, de liderança a desenvolvimento e venda. Segundo o delegado Eduardo Dal Fabro, da DRCC (Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos), o grupo era estruturado a ponto de haver pessoas responsáveis pela gestão financeira, desenvolvimento, fornecimento de bases de dados, operadores de fraudes e de contas de laranjas (núcleo de lavagem de dinheiro), além de responsáveis por anúncios e comercialização.
Segundo a investigação, suspeitos tinham vida de luxo com viagens. Os dois principais alvos estavam nos EUA e são considerados foragidos. Fora isso, os envolvidos publicavam fotos de lancha e usando carros de luxo. Um deles estava construindo uma casa de alto padrão com jacuzzi.
Entre março de 2021 e março de 2026, o grupo teria faturado mais de R$ 7 milhões, com mais de R$ 4 milhões só em 2025. A PCDF afirma que os lucros eram ocultados com empresa de fachada, "contas-bolsão" e movimentação triangulada de criptoativos entre líderes.
Justiça determinou bloqueio e sequestro de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões. A medida inclui imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação, além da solicitação de retirada do site do ar, segundo a corporação. Até o momento, a página não foi desativada, pois está hospedada fora do Brasil e exige cooperação com outros países.
Suspeitos podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato. A PCDF também cita receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato; somadas, as penas máximas ultrapassariam 36 anos de prisão.
Como plataformas de dados vazados alimentam golpes
Casos anteriores já levaram a PCDF a derrubar grupos que comercializavam dados de milhões de pessoas. Em fevereiro de 2025, , apontado como um dos maiores painéis que facilitava golpes online.
Páginas desse tipo permitem que criminosos escolham vítimas e personalizem abordagens. Com informações como CPF, telefones e dados de parentes, golpistas conseguem dar mais aparência de veracidade a fraudes como falsas centrais e cobranças indevidas.
Na operação de 2025, três pessoas foram presas e passaram a responder em liberdade, sem divulgação de identidade. Elas foram investigadas por invasão de dispositivo informático, associação criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a PCDF.
Donos da página tinham vida discreta e casa de R$ 1,5 milhão. Na época, foram detidas três pessoas - um casal em SC e um homem no RJ. O casal, detido num condomínio de luxo, tinha carro avaliado em R$ 350 mil e casa de R$ 1,5 milhão, além de terem laptops Apple avaliados em R$ 40 mil. Na época, estimava-se que ganhos obtidos com o site eram estimados em cerca de R$ 5 milhões.