OpenAI, Anthropic e SpaceX: temporada de IPO marca o fim da bolha de IA?

25 de Jun de 2026 - 05:45
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OpenAI, Anthropic e SpaceX: temporada de IPO marca o fim da bolha de IA?

(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )

A temporada de IPOs de empresas de inteligência artificial está aberta. A chegada de OpenAI, Anthropic e SpaceX à Bolsa reacende uma pergunta incômoda: abrir capital encerra o receio de bolha ou só muda a cobrança? No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam o que cada companhia tem a oferecer e onde a conta pode estourar.

Os apresentadores fazem um raio-x das duas candidatas a trilionárias e da recém-estreante na Bolsa e apontam que o IPO pode dar fôlego no curto prazo, mas aumenta a pressão por receita. A discussão tende a sair do "tem bolha?" para "quem paga a conta?".

Quando você tem um IPO, isso traz mais pressão sobre uma governança daqueles recursos e, ao mesmo tempo, traz uma entrada de dinheiro. Isso pode dar fôlego para essas empresas conseguirem dar o próximo passo. Mas não tira a pressão de que elas tenham que começar a trazer resultado financeiro; pelo contrário, no médio e longo prazo vai trazer mais pressão para elas se tornarem empresas rentáveis, o que é muito difícil, especialmente para a OpenAI.
Diogo Cortiz

Ao analisar a OpenAI, Cortiz diz que a empresa virou marco da IA generativa ao transformar grandes modelos em um produto popular, com foco em experiências do usuário.

Só que a disputa ficou mais apertada diante do crescimento de rivais como Gemini, do Google, e Claude, da Anthropic, além dos serviços chineses.

A OpenAI vive um momento peculiar: ainda é uma grande promessa, mas vem perdendo alguns usuários para outros serviços. Se antes a gente olhava para a OpenAI como a fronteira do desenvolvimento da inteligência artificial, hoje a gente sabe que não é assim
Diogo Cortiz

Para Helton, a SpaceX é um "Frankenstein" corporativo, com negócios que vão além de foguetes e incluem redes sociais com o X e inteligência artificial com a xAI, dona do chatbot Grok. A empresa vê um mercado potencial gigantesco, mas queima dinheiro em datacenters, enquanto a Starlink aparece como principal fonte de caixa.

A SpaceX tem dentro a xAI, que comprou o X e depois foi incorporada. Ela está diante de uma oportunidade de negócio gigantesca: nas contas do Elon Musk, um mercado de US$ 28 trilhões, e a maior parte vem de inteligência artificial. Quando você olha para a SpaceX, ela brilha com as viagens espaciais, mas queima muito dinheiro investindo em datacenters. Quem dá dinheiro mesmo ali dentro é a Starlink.
Helton Simões Gomes

Já a Anthropic cresceu com uma estratégia diferente, diz Cortiz. Em vez de mirar primeiro o consumidor final, apostou em contratos com companhias e em modelos fortes para programação. Isso ajudou a construir receita e a espalhar o uso dentro das empresas, a partir do time de desenvolvimento para outras áreas.

A Anthropic entendeu um caminho de prestar serviços para empresas. Boa parte da receita não vem do assinante no celular, mas desses contratos. No começo, ela se notabilizou por investir em modelos muito bons para geração de código. Muita empresa começou a usar isso como ferramenta de produtividade, e outras unidades da empresa começaram a usar também.
Diogo Cortiz

O IPO não resolve a pergunta sobre sustentabilidade do negócio, avalia a dupla. Para Cortiz, a abertura de capital pode dar tempo, mas não elimina a dificuldade de empatar custos, especialmente quando há escassez de GPUs e produtos caros, como a geração de vídeo, precisam ser repensados.

Helton afirma que, quando o sino tocar na Nasdaq, a discussão sobre bolha tende a perder importância e dar lugar a outra: como as empresas vão se pagar? Na leitura dele, parte dessa conta deve aparecer para usuários e clientes corporativos via cobrança por uso -os tokens— e por restrições crescentes nos planos.

A discussão sobre bolha vai se tornar irrelevante assim que o sino bater na Nasdaq. A discussão vai ser rapidamente substituída por como essas empresas vão começar a se pagar e pagar os investimentos que fizeram. E quem vai começar a pagar essa conta são as pessoas que já estão pagando com a história do TokenMaxxing. Vamos começar a ter que contar na ponta do lápis se vale a pena fazer uma solicitação para um serviço de IA, porque isso vai começar a doer no nosso bolso.
Helton Simões Gomes

Cortiz reforça que os limites de uso já ficam mais apertados em alguns serviços e que usuários migram para planos mais caros para manter o ritmo. Ele cita o Claude como exemplo de restrições que empurram parte do público para assinaturas superiores, o que sinaliza o fim de um período de uso subsidiado.

Guerra ao GPS: por que o sistema tem desorientado aviões, navios e carros

Central para apps como Waze e Google Maps, o GPS tem virado alvo de reclamações de motoristas brasileiros, mas, em outros lugares do mundo, o sistema tem enfrentado ataques que afetam a navegação de aviões, navios, carros e motos. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que a localização via satélite virou alvo de militares e como reduzir dores de cabeça no celular.

O que parece bug muitas vezes é interferência deliberada: forças militares e grupos mal-intencionados exploram a fragilidade do sinal que vem dos satélites para enganar receptores e desorientar rotas -e quem paga a conta são trabalhadores e moradores de regiões afetadas.

Fatos estranhos estão acontecendo com o GPS. O sinal vem a 20 mil quilômetros de distância e chega aqui na Terra fraco, quase não consegue ser percebido pelos instrumentos. Muita gente aproveita essa brecha para confundir os sistemas que leem o GPS no carro, no celular, no avião, no navio. Isso acontece porque militares e outros grupos usam duas táticas: o spoofing, quando imitam o sinal simulando que a pessoa está em outro lugar, e o jamming, quando emitem sinais de rádio na mesma frequência para confundir o GPS e ele fica instável.
Helton Simões Gomes

O segredo da Anthropic para pedir suspensão do avanço da IA antes de seu IPO

A Anthropic, dona do Claude, passou a defender que o avanço da inteligência artificial deve desacelerar, mesmo sendo uma das empresas que puxam essa corrida. No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes destrincham o que está por trás desse pedido às vésperas de um IPO cheio de expectativa

Para os apresentadores, o debate tem camadas: há um argumento técnico sobre IA criando código para melhorar a própria IA, mas também existe o risco de o discurso virar peça de jogo econômico -ainda mais quando a empresa precisa convencer investidores.

A Anthropic se coloca com um artigo e traz uma perspectiva interessante: o que acontece quando a IA começa a se construir? A gente saiu de chatbots que geravam um código simples para agentes de codificação. Eles colocam: talvez a gente esteja avançando muito rápido, criando muito código focado na própria IA sem entender o impacto. Eles não falam necessariamente de uma pausa; falam em diminuir, segurar, reduzir a velocidade até entender as implicações e ter clareza de que é benéfico e que a gente tem controle disso.
Diogo Cortiz

DEU TILT

Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.