O segredo da Anthropic para pedir suspensão do avanço da IA antes do IPO
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )
A Anthropic, dona do Claude, passou a defender que o avanço da inteligência artificial deve desacelerar, mesmo sendo uma das empresas que puxam essa corrida. No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes destrincham o que está por trás desse pedido às vésperas de um IPO cheio de expectativa
Para os apresentadores, o debate tem camadas: há um argumento técnico sobre IA criando código para melhorar a própria IA, mas também existe o risco de o discurso virar peça de jogo econômico -ainda mais quando a empresa precisa convencer investidores.
A Anthropic se coloca com um artigo e traz uma perspectiva interessante: o que acontece quando a IA começa a se construir? A gente saiu de chatbots que geravam um código simples para agentes de codificação. Eles colocam: talvez a gente esteja avançando muito rápido, criando muito código focado na própria IA sem entender o impacto. Eles não falam necessariamente de uma pausa; falam em diminuir, segurar, reduzir a velocidade até entender as implicações e ter clareza de que é benéfico e que a gente tem controle disso.
Diogo Cortiz
Há uma contradição central: a mesma empresa que lançou ferramentas que mudaram rotinas de tecnologia, como o Claude Code, agora clama ao mundo que é hora de frear, ao mesmo tempo em que se prepara para entrar na Bolsa.
É uma contradição muito nítida entre tudo que a empresa conquistou, o que ela está se propondo como estratégia e o que ela está dizendo para o mundo da tecnologia, o mundo da IA, tem que fazer aqui e agora.
Helton Simões Gomes
O segredo que ajuda a explicar por que a Anthropic consegue levantar a bandeira do freio está no jeito como a empresa empacota IA para virar produto. Atualmente, a vantagem não é ter um modelo de linguagem melhor, mas combinar o modelo com um conjunto de ferramentas e contexto, o chamado "harness".
A tecnologia agora não é só o modelo, é uma combinação entre o modelo e o 'harness', como você vai conduzir esse modelo para ele fazer tarefas específicas. O 'harness' traz uma cadeia de ecossistema para que o modelo desempenhe tarefas melhores: dá acesso a ferramentas, bibliotecas, ações, conexão com serviços. Então, quando a gente fala de inteligência artificial hoje, não pode falar só do modelo específico; tem que falar do modelo e de todo esse 'harness' que vem acompanhado dele. O Claude Code é esse conjunto: modelo mais o 'harness' que dá acesso a agentes de programação e ferramentas.
Diogo Cortiz
Para Helton, ter um produto forte como o Claude Code coloca a empresa numa posição confortável para pedir que o ritmo diminua.
A Anthropic está numa posição muito confortável para dizer que os outros têm que parar e até mesmo ela, porque, se continuar como estamos e a corrida prosseguir, ela vai terminar na frente. Se eu estivesse nessa posição, eu também mandaria todo mundo parar, segurar a mão. Tranquilamente.
Helton Simões Gomes
Pedidos de "moratória" de IA já foram feitos antes, nem sempre por preocupação com segurança. Pesquisadores e o próprio Elon Musk já assinaram cartas pedindo desaceleração.
Não é a primeira vez que a gente ouve esse assunto de que a IA precisa parar, mas nunca uma empresa que desenvolve inteligência artificial se posicionando nesse sentido.
Quando a gente olha para esses pedidos de pausa no desenvolvimento de inteligência artificial, é inevitável trazer uma possibilidade de um jogo político e econômico. Teve carta pedindo moratória de seis meses assinada por um monte de gente, mas também pelo Elon Musk. Você acha que ele estava preocupado? A gente tem interesses pessoais, interesses econômicos. Nesse caso, tem analistas falando que também é um movimento da Anthropic de tentar organizar a coisa para desacelerar o ritmo. Só que precisa combinar com muita gente, inclusive com os chineses.
Diogo Cortiz
A chance de uma desaceleração real é baixa, porque a competição entre empresas e países empurra o ritmo para cima.
Não vai acontecer nada. As empresas vão continuar desenvolvendo porque existe um ritmo muito rápido de acelerar esse desenvolvimento. Não adianta nada as empresas dos Estados Unidos falarem 'vamos segurar' porque os chineses vão avançar.
Diogo Cortiz
Guerra ao GPS: por que o sistema tem desorientado aviões, navios e carros
Central para apps como Waze e Google Maps, o GPS tem virado alvo de reclamações de motoristas brasileiros, mas, em outros lugares do mundo, o sistema tem enfrentado ataques que afetam a navegação de aviões, navios, carros e motos. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que a localização via satélite virou alvo de militares e como reduzir dores de cabeça no celular.
O que parece bug muitas vezes é interferência deliberada: forças militares e grupos mal-intencionados exploram a fragilidade do sinal que vem dos satélites para enganar receptores e desorientar rotas -e quem paga a conta são trabalhadores e moradores de regiões afetadas.
Fatos estranhos estão acontecendo com o GPS. O sinal vem a 20 mil quilômetros de distância e chega aqui na Terra fraco, quase não consegue ser percebido pelos instrumentos. Muita gente aproveita essa brecha para confundir os sistemas que leem o GPS no carro, no celular, no avião, no navio. Isso acontece porque militares e outros grupos usam duas táticas: o spoofing, quando imitam o sinal simulando que a pessoa está em outro lugar, e o jamming, quando emitem sinais de rádio na mesma frequência para confundir o GPS e ele fica instável.
Helton Simões Gomes
OpenAI, Anthropic e SpaceX: IPO marca o fim da bolha de IA?
A temporada de IPOs de empresas de inteligência artificial está aberta. A chegada de OpenAI, Anthropic e SpaceX à Bolsa reacende uma pergunta incômoda: abrir capital encerra o receio de bolha ou só muda a cobrança? No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam o que cada companhia tem a oferecer e onde a conta pode estourar.
Os apresentadores fazem um raio-x das duas candidatas a trilionárias e da recém-estreante na Bolsa e apontam que o IPO pode dar fôlego no curto prazo, mas aumenta a pressão por receita. A discussão tende a sair do "tem bolha?" para "quem paga a conta?".
Quando você tem um IPO, isso traz mais pressão sobre uma governança daqueles recursos e, ao mesmo tempo, traz uma entrada de dinheiro. Isso pode dar fôlego para essas empresas conseguirem dar o próximo passo. Mas não tira a pressão de que elas tenham que começar a trazer resultado financeiro; pelo contrário, no médio e longo prazo vai trazer mais pressão para elas se tornarem empresas rentáveis, o que é muito difícil, especialmente para a OpenAI.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.