No bota-fora do Bota, quem vai substituir John Textor?
É verdade. Eu, Maurício Meirelles e Marcelo Adnet estamos nos juntando pra comprar a SAF do Botafogo. Existem vários interessados, entre eles o dono da Ferrari. Mas nós também temos nossas economias. Estou vendendo meu Fiat Marea, único dono, pra entrar nesse rachuncho e tirar nosso Fogão desse sufoco.
Antes de falar do bota-fora do Bota, preciso dizer que sou extremamente grato ao John Textor. Dia 30 de novembro de 2024 vivi no Monumental de Nuñez a minha maior alegria no futebol.
Me perguntaram na última coluna, se, vendo agora as consequências, estou arrependido. Não conheço um botafoguense que prefira estar com as contas em dia e sem a Glória Eterna. Torcer pelo Fogão é viver perigosamente. Já diria o filósofo Filipe Ret: "Só quem se arrisca merece viver o extraordinário".
Eu preferia estar falando de futebol. Analisando a atuação do Montoro, especulando quem estará no gol no próximo jogo, falando sobre a recuperação do Arthur Cabral. Mas o assunto é a recuperação judicial.
Agora pra torcer pro Botafogo, a gente tem que entender de Direito Societário, Direito Desportivo, matemática financeira e geopolítica internacional.
Eu tive que recorrer ao Google pra saber o que diacho significa Tribunal Arbitral da FGV. Se você também teve que pesquisar e entendeu alguma coisa, deixa aqui nos comentários, por favor? Porque eu não entendi nada.
Montar um timaço e ganhar a Libertadores não foi problema algum do ponto de vista financeiro. Na verdade, foi o melhor investimento do Bota em décadas.
A coisa começou a desandar quando o Textor resolveu comprar o Lyon sem ter dinheiro pra isso. Meu pai me ensinou a só comprar o que posso pagar.
Mas o papai do John não deu essa lição a ele. O cara saiu pegando dinheiro emprestado a juros altíssimos, comprando jogadores caros, depois de ter usado toda a grana das nossas premiações para cobrir o rombo do Lyon.
Pagou salários altíssimos a jogadores que não renderam nada, vendeu nossos craques a preço de banana e, pra piorar tudo, ofereceu as ações da nossa SAF como garantia dos empréstimos impagáveis. O gringo tomou umas caipirinhas e por pouco não investiu no banco Master. E assim como o banco, foi liquidado da diretoria.
Agora ele está fora do comando do negócio que ele mesmo criou. É um cara simpático, de boa lábia, conseguiu convencer muita gente, inclusive a mim, por muito tempo. Mas uma hora a lábia para de se sustentar…
A casa caiu, não teve jeito. O Textor teve que pedir o boné azul e cair fora. Em suas últimas aparições no estádio Nilton Santos, víamos ele sozinho no seu camarote, antes disputado por todos os torcedores e dirigentes. Ele comendo um hambúrguer solitário no meio do jogo foi melancólico. E sua saída pode ser uma luz no fim do túnel.
Vamos perder jogadores importantes, vamos cortar a própria carne, mas vamos sair dessa.
Ninguém sabe qual vai ser a solução, mas tenho certeza de que ela virá. Só espero um dia voltar a falar só de futebol. Quando vai ser isso, não tenho a menor ideia. Nesse meio tempo, quem agradece é meu cardiologista, que já comprou uma mansão com as consultas por conta do Botafogo.
Aí Maurício, aí Adnet, vou ver com os outros cassetas se consigo dar como garantia no nosso negócio as ações das Organizações Tabajara.
Aguardem notícias em breve!
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.