Itaú notifica portal Metrópoles por correções e direito de resposta

1 de Jul de 2026 - 16:00
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Itaú notifica portal Metrópoles por correções e direito de resposta

O Itaú Unibanco entrou com uma notificação extrajudicial contra o portal de notícias brasiliense Metrópoles demandando correções e direito de resposta com exposição equivalente aquela que foi dada a dezenas de reportagens e posts nas redes sociais em que o banco é acusado de lesar clientes em bilhões de reais por uma cobrança indevida de um seguro.

Além de notificar o portal, o banco criou uma página na internet, batizada de "Factópoles", para registrar dados e o posicionamento oficial do banco.

As postagens do Metrópoles ganharam força a partir de abril e maio. Segundo o Itaú, o posicionamento do banco não foi incluído nas reportagens em espaço adequado.

"Em um intervalo de 70 dias, foram publicadas 42 matérias e cerca de 50 de posts em redes sociais com informações deturpadas e sem o espaço de resposta condizente com a prática jornalística", escreve o Itaú na abertura do novo site.

A coluna apurou que a principal motivação para os ataques do Metrópoles ao Itaú seria uma reportagem que a revista Piauí estaria preparando sobre o portal e seu dono, .

Procurado, o Metrópoles não se manifestou. O espaço está aberto.

A Piauí foi criada em 2006 pelo documentarista João Moreira Salles, cuja família se tornou sócia do Itaú em 2008, com a compra do Unibanco — banco fundado pelo pai de João, Walther Moreira Salles. Em 2021, João deixou a função de publisher e financiador e a revista passou a ser bancada por um fundo patrimonial do Instituto Artigo 220.

Em uma consulta ao site do Metrópoles, é possível encontrar reportagens com diferentes pautas sobre o Itaú, do fechamento de agências no interior de Minas Gerais a uma multa de R$ 7 mil por demorar a atualizar o nome de um correntista que passou por transição de gênero. Mas o maior volume de postagens diz respeito a um Termo de Ajustamento de Conduta firmado pelo Itaú com o Ministério Público de Minas Gerais e com o Instituto de Defesa do Consumidor, em dezembro do ano passado, sobre uma cobrança de seguro não reconhecida por clientes, encerrando uma ação civil pública (nº 5085307 63.2016.8.13.0024).

Segundo o Itaú, o MP listou 31.024 reclamações de clientes em todo o país, com um desconto de R$ 125 pelo seguro em média. Na notificação judicial enviada ao Metrópoles, a qual a coluna teve acesso, o banco alega que esses valores equivalem a R$ 4 milhões ao longo de 14 anos — ou menos de R$ 11 milhões com atualização monetária.

Em uma das matérias do Metrópoles, há uma projeção que considera o desconto indevido de todos os clientes do Itaú no período. O artigo sugere que o banco teria "tirado" ou "levado" R$ 16 bilhões ou R$ 33,6 bilhões de seus clientes de forma indevida. Ainda segundo o Metrópoles, o Itaú teria se utilizado de "artimanhas" para "ludibriar clientes" e "esconder cobranças". E o Banco Central, por sua vez, teria atestado a "ilegalidade das cobranças".

Na notificação, o Itaú diz que os valores de R$ 16 bilhões ou R$ 33,6 bilhões "não constam do acordo, não foram apurados, auditados, homologados ou reconhecidos, tampouco decorrem de qualquer liquidação individualizada". Que a informação sobre o Banco Central atestando a ilegalidade da cobrança é "factualmente incorreta e juridicamente insustentável". E que os termos usados para descrever supostos descontos "extrapolam a adjetivação opinativa" e "atribuem ao Itaú Unibanco, de forma leviana, a prática de crimes."

O Itaú destaca ainda, na notificação, o fato de que não reconheceu nem confessou irregularidades ao firmar o TAC, diferentemente do que foi difundido pelo Metrópoles.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.