Itaú leva IA a maquininhas para fazer pagamentos com voz
As maquininhas de pagamento do Itaú receberão uma camada de inteligência artificial em junho para fazer diversas tarefas integradas ao ponto de venda. A primeira delas será realizar pagamentos por comandos de voz.
Sem tocar na tela, os vendedores falarão o valor de uma compra e a modalidade de pagamento. Ao sistema inteligente caberá a missão de entender a mensagem, em seus diferentes sotaques e ignorando o barulho do ambiente, conectá-la com as formas de pagamento aceitas pela loja e mostrar a informação no display à espera do Pix ou do toque e deslize do cartão.
Levar IA é um movimento coordenado com a troca das maquininhas para uma versão mais robusta, chamada de Laranjinha+. Já estão na rua 150 mil delas, mas a expectativa é chegar a 500 mil até o fim do ano e concluir a migração dos 1,5 milhão de dispositivos em 2027. Os comandos de voz chegarão no próximo mês, quando o Itaú atualizar o software desses equipamentos. Na ocasião, todo o modelo de IA criado pelo banco será descarregado, mas as novas habilidades só serão liberadas à medida que novas funções forem criadas para elas.
Ou seja, ainda que já seja tão poderosa quanto a que usamos em chatbots, a IA das maquininhas é limitada às tarefas permitidas pelo banco. No caso do comando de voz, por exemplo, ela até entende perguntas como "O Palmeiras tem mundial?", tem a capacidade de responder, mas se restringe a atuar diante de valores monetários e opções de pagamento.
Segundo Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do banco e do iCTi (Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú), essa foi a forma encontrada pela empresa para forçar sua IA a atender demandas ligadas apenas ao negócio —são os chamados "guardrails" ou travas de segurança. De quebra, afastou as alucinações dos grandes modelos de linguagem, ou seja, a capacidade de gerar respostas absurdas. O outro desafio enfrentado era fazer um sistema tão complexo rodar em um dispositivo com capacidades técnicas mais modestas se comparadas a um smartphone, por exemplo.
A IA da Laranjinha+ é uma combinação de vários modelos de linguagem, como os da Anthropic e da OpenAI. Por ora, a habilidade utilizada é o que se chama no jargão da área de reconhecimento de linguagem natural, ou seja, o jeito como as pessoas falam, com seus traquejos e nuances.
Para Angelo Russomanno, diretor de meios de pagamento do Itaú, a adição de IA e de aplicativos fazem as maquininhas viverem um "momento smartphone".
Há aqui uma analogia entre a transformação da maquininha e a evolução do telefone celular. Antes eram só chamadas, agora tem tudo dentro do iPhone e muitas coisas que melhoram a nossa vida, que nos ajudam a fazer gestão do tempo e serviço. A maquininha tá nesse caminho
Angelo Russomanno
Outro aspecto de segurança é que a IA só começa a escutar ao ser acionada por um operador humano e a audição é encerrada assim que a transação acaba, de modo que a maquininha não ouve continuamente tudo que é dito perto dela.
Adriano Tchen, também diretor de tecnologia do Itaú, conta que novas funções dentro da maquininha serão habilitadas para as lojas conforme desenvolvedores construírem aplicações para elas. Hoje, a Laranjinha Store possui mais de cem aplicativos. Algumas deles executam todas as funções de retaguarda de uma loja, da gestão do estoque de suprimentos, ao registro do pedido e culminando no pagamento.
A competição na área dos terminais de pagamento é acirradas, com Itaú e PagBank, conhecido pelas maquininhas de cartão amarelinhas, na dianteira.
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