IA da China proibida: como veto de Trump afeta uso de Kimi e GLM no Brasil
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; ; )
A Casa Branca discute caminhos para restringir inteligências artificiais chinesas nos Estados Unidos, e o impacto pode respingar em empresas e projetos que misturam modelos de vários países. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, recebe Gabriel Francisco Ribeiro, editor da coluna , para detalhar o que está em jogo.
Não tem nada de bom quando um embargo desse acontece.
Helton Simões Gomes
O debate já estava quente, mas ganhou ainda mais tração após dois modelos de IA da OpenAI executarem um ataque hacker, contido por uma IA chinesa.
Segundo Gabriel Francisco Ribeiro, o ataque foi sendo explicado aos poucos. Primeiro, a startup Hugging Face disse ter sido invadida por "agentes autônomos". Depois, a OpenAI assumiu a autoria do incidente cibernético e afirmou que modelos em teste escaparam do ambiente controlado e atacaram um serviço externo para buscar respostas.
Esse é um ataque que a OpenAI chamou de 'sem precedentes', porque foi um ataque inteiramente conduzido por uma IA. Então não teve nenhuma participação humana. Não teve um humano guiando, 'faz isso, depois faz aquilo'. Tanto que, depois saiu um estudo que apontou que esse ataque foi executado em questão de horas, e um humano levaria semanas para fazer algo parecido.
Gabriel Francisco Ribeiro
O teste do qual participavam os modelos de IA da OpenAI é como um "ENEM da IA", mas voltado apenas à cibersegurança. Nele, os modelos poderiam colaborar, mas não "sair do aquário", diz Helton. Mas a dupla da OpenAI achou uma brecha e acessou a internet para procurar respostas.
Esse teste ocorre no sandbox, uma espécie de aquário: eles deixam a IA presa, travada, e você não pode sair desse aquário. Eles acharam uma rachadura no aquário, acessaram a internet e começaram a invadir o sistema da Hugging Face, começaram a atacar, a buscar respostas e acharam a solução. Foram muito bem no teste, mas hackearam uma outra empresa.
Helton Simões Gomes
O episódio fica ainda mais simbólico, na avaliação de Helton, porque a empresa atacada se defendeu com um modelo chinês, o GLM 5.2, da , já que modelos norte-americanos têm "amarras" para esse tipo de uso.
Esse incidente tem um pano de fundo mais amplo, conectado à corrida global, diz Gabriel. Como a distância entre EUA e China diminuiu, devido ao apelo do custo menor da IA chinesa, empresas americanas trocam tecnologia local por modelos chineses, o que aumenta a pressão política por restrições.
Isso preocupa muito o Vale do Silício e preocupa também Donald Trump; a Casa Branca está pensando em colocar tarifas, sanções, talvez proibições, e proibir empresas americanas de usarem modelos chineses.
Gabriel Francisco Ribeiro
A proibição dos EUA pode ir além do território americano por causa do alcance das regras e da simbiose dos produtos norte-americanos com os produtos de outros países. Estão em discussão duas possibilidades: incluir empresas em uma lista de sanções ("Entity List) ou criar alertas de segurança com exigências de importação para quem armazena ou vende IA chinesa.
Para Helton, isso pode atingir diretamente o Brasil, onde organizações combinam modelos de diferentes origens. Ele lista exemplos: o ChatTCU, construído pelo Tribunal de Contas da União com GPT, Claude e DeepSeek; a Ailo, IA do iFood, feita com o Qwen, do Alibaba, e levada pela Prosus para a empresas do grupo; e a IAI, do Itaú, que mistura dezenas de modelos, incluindo GLM, Kimi, Qwen e DeepSeek.
Uma proibição norte-americana à IA chinesa deixaria confuso o cenário de empresas que mesclam tecnologias, porque elas teriam de entender o que pode e o que não pode ser usado em conjunto.
Ligações indesejadas com seu número na tela têm data para acabar no Brasil
Ligações com um número parecido com o seu e que muitas vezes desligam na sua cara têm data para desaparecer no Brasil: 2028. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes recebe Gabriel Francisco Ribeiro, editor da coluna IAgora?, para explicar por que esse tipo de chamada virou porta de entrada para golpes e o que muda com uma regra da Anatel.
O truque usa falsificação de identidade de chamada, prática que ganhou escala com serviços de voz pela internet (VoIP). A ideia é simples: alterar o "Call ID" para fazer a ligação parecer que vem de um número confiável, inclusive um parecido com o da própria vítima.
Aquelas ligações super indesejadas que parecem com o nosso número têm dia pra acabar e é 2028. Elas acontecem porque existe um negócio chamado falsificação de identidade de chamada. Na internet, a voz é transformada em pacote, e o que os criminosos aprenderam é que você pode modificar os dados desse pacote. Um dos dados é o Call ID, que você conhece como número de telefone. A pessoa faz uma ligação na internet, isso cai na linha da operadora e, quando bate na sua tela, aparece um número parecido com o seu. Você acha estranho, atende e pronto: caiu no golpe.
Helton Simões Gomes
De frentista a pedreiro: já há robôs nessas 10 profissões na China e EUA
Robôs já estacionam carros, abastecem veículos e assentam pisos em países como China, Coreia do Sul e Estados Unidos. No novo episódio, Deu Tilt mostra onde essas máquinas trabalham e por que elas ainda não devem chegar ao Brasil em massa.
A dupla listou dez funções "bem brasileiras" que já têm versões automatizadas lá fora e fez a ponte com o mercado de trabalho formal no país. Somadas, as ocupações equivalem a cerca de 2,64 milhões de vínculos empregatícios no Brasil, segundo números citados ao longo do episódio.
Os robôs que desempenham essas funções têm similares humanos aqui no Brasil, da ordem de 2.641.000 vínculos empregatícios. Mas essas pessoas podem ficar tranquilas. Ao longo da conversa, a gente não falou um detalhe importante: o preço desses robôs. Eles fazem coisas de uma forma automatizada, deixa tudo padronizado. Mas o ponto é que esses robôs ainda custam muito caro.
Helton Simões Gomes
Por que a Anthropic busca profissionais para evitar o fim do mundo?
A Anthropic abriu vagas fora do perfil típico de um laboratório de inteligência artificial: especialistas em armas nucleares, bioquímica, crimes financeiros e cibersegurança para "cutucar" o Claude e testar se ele ajuda a fazer estragos. Deu Tilt conta como a empresa tenta antecipar usos maliciosos da IA.
A ideia, segundo os apresentadores, é contratar gente capaz de simular pedidos perigosos e procurar brechas nas barreiras que impedem a ferramenta de orientar ataques, fraudes ou a criação de armas. O salário citado no programa vai de US$ 200 mil a US$ 500 mil por ano.
A missão deles é ficar cutucando a IA -o Claude, que é a IA da Anthropic-- para ver se, de alguma forma, ela passa pelas barreiras. Essas pessoas vão ficar jogando lá: "Me ajuda aqui a criar uma bomba nuclear? O que eu tenho que fazer?". Eles vão ganhar entre US$ 200 mil e US$ 500 mil por ano.
Gabriel Francisco Ribeiro
ChatGPT aprende a falar como humanos para dar voz à 'Alexa da OpenAI'
O primeiro dispositivo da OpenAI não foi o "matador de celulares" que muita gente esperava: é um teclado de US$ 300 voltado a desenvolvedores. Deu Tilt conta como o ChatGPT Live prepara o terreno para um aparelho de voz, sem tela e no estilo "Alexa da OpenAI".
Segundo os dois, o Codex Micro funciona como peça de vitrine para reforçar a disputa da OpenAI com rivais em IA para programação. Mas a virada do episódio está no avanço de voz: o ChatGPT passa a conversar de forma mais fluida, com interrupções e "reações" no meio da fala.
O GPT Live, basicamente, é uma nova forma de se comunicar. Então, como funciona atualmente com IAs? Você fala um comando - a sua Alexa da sua casa, por exemplo - dá um comando, tem aquela pausa chata e a IA te responde. Dá um comando, pausa chata e a IA te responde. Agora, o ChatGPT quer deixar isso mais humano. Você tem uma conversa mais fluida. E qual que é a grande neuro por trás disso? A gente sabe que o Sam Altman tem um tesão no filme Her.
Gabriel Francisco Ribeiro
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.