Guerra ao GPS: por que o sistema tem desorientado aviões, navios e carros
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )
Central para apps como Waze e Google Maps, o GPS tem virado alvo de reclamações de motoristas brasileiros, mas, em outros lugares do mundo, o sistema tem enfrentado ataques que afetam a navegação de aviões, navios, carros e motos.
No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e explicam por que a localização via satélite virou alvo de militares e como reduzir dores de cabeça no celular.
O que parece bug muitas vezes é interferência deliberada: forças militares e grupos mal-intencionados exploram a fragilidade do sinal que vem dos satélites para enganar receptores e desorientar rotas -e quem paga a conta são trabalhadores e moradores de regiões afetadas.
Fatos estranhos estão acontecendo com o GPS. O sinal vem a 20 mil quilômetros de distância e chega aqui na Terra fraco, quase não consegue ser percebido pelos instrumentos. Muita gente aproveita essa brecha para confundir os sistemas que leem o GPS no carro, no celular, no avião, no navio. Isso acontece porque militares e outros grupos usam duas táticas: o spoofing, quando imitam o sinal simulando que a pessoa está em outro lugar, e o jamming, quando emitem sinais de rádio na mesma frequência para confundir o GPS e ele fica instável.
Helton Simões Gomes
Um caso simbólico é o de um avião da Força Aérea do Reino Unido, que transportava o secretário de Defesa britânico, John Healey. Ao passar pela Estônia, instrumentos indicaram que a aeronave estava na Rússia, apesar de estar a cerca de 300 km da fronteira.
Em áreas marítimas sensíveis, como o Estreito de Hormuz, a confusão se multiplica. Por lá, as telas mostram navios "dentro da Terra" ou em locais impossíveis, porque vários sistemas de bordo dependem do GPS e parte da frota opera com equipamentos antigos, com menos redundância de satélites e frequências.
Segundo a empresa Skai Data Services, que monitora navegação aérea, as interferências viraram comuns em regiões do Mar Báltico, Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Índia, Paquistão e ao redor de Mianmar. Todas essas localidades abrigam algum conflito armado.
Há um pano de fundo regulatório: a ONU proíbe confundir sinais para navegação, mas abre exceção para usos militares ligados à defesa e segurança, o que ajuda a explicar por que o problema persiste em regiões de conflito.
O efeito também aparece no dia a dia de quem trabalha na rua. Após guerras na região, entregadores e motoristas em Dubai passaram a ter dificuldades para usar apps de navegação: o destino muda de lugar, o tempo muda bruscamente e a rota perde confiabilidade.
Desligar o GPS para um país específico seria difícil, porque a interrupção atingiria uma área maior e teria custo econômico. Fora isso, aparelhos modernos podem recorrer a outras constelações de satélites além da norte-americana.
Você não consegue bloquear uma região específica. Os Estados Unidos não têm a tecnologia de cortar só o Brasil; pegaria uma boa parte do resto de outros países da América Latina e um pedaço considerável do Oceano Atlântico. E ainda assim, se o GPS for desligado, a gente pode utilizar, pelo menos nos sistemas mais modernos, que já estão integrados com essas outras constelações, e continuar usando as informações que chegam a partir desses outros satélites. Depende muito do receptor.
Diogo Cortiz
Há ainda enorme diferença entre ataques ao GPS com as divergências entre rotas sugeridas por Waze e Google Maps. Helton explica que os serviços usam dados diferentes: enquanto o Maps combina geolocalização de celulares e histórico de tráfego, o Waze leva muito em conta colaborações em tempo real, como alertas de buracos, alagamentos, blitz e pontos de insegurança.
Helton ainda chama atenção para o "efeito manada": ao mandar muita gente para o mesmo desvio, o Waze pode congestionar ruas antes tranquilas e empurrar motoristas para vias estreitas e não desenhadas para receber carros. A navegação também reduz o medo de se perder e incentiva mais gente a dirigir.
Para quem acredita que o GPS não está funcionando direito no Waze e Maps, o episódio fecha com um passo a passo de calibração.
O segredo da Anthropic para pedir suspensão do avanço da IA antes de seu IPO
A Anthropic, dona do Claude, passou a defender que o avanço da inteligência artificial deve desacelerar, mesmo sendo uma das empresas que puxam essa corrida. No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes destrincham o que está por trás desse pedido às vésperas de um IPO cheio de expectativa
Para os apresentadores, o debate tem camadas: há um argumento técnico sobre IA criando código para melhorar a própria IA, mas também existe o risco de o discurso virar peça de jogo econômico -ainda mais quando a empresa precisa convencer investidores.
A Anthropic se coloca com um artigo e traz uma perspectiva interessante: o que acontece quando a IA começa a se construir? A gente saiu de chatbots que geravam um código simples para agentes de codificação. Eles colocam: talvez a gente esteja avançando muito rápido, criando muito código focado na própria IA sem entender o impacto. Eles não falam necessariamente de uma pausa; falam em diminuir, segurar, reduzir a velocidade até entender as implicações e ter clareza de que é benéfico e que a gente tem controle disso.
Diogo Cortiz
OpenAI, Anthropic e SpaceX: IPO marca o fim da bolha de IA?
A temporada de IPOs de empresas de inteligência artificial está aberta. A chegada de OpenAI, Anthropic e SpaceX à Bolsa reacende uma pergunta incômoda: abrir capital encerra o receio de bolha ou só muda a cobrança? No novo episódio de, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam o que cada companhia tem a oferecer e onde a conta pode estourar.
Os apresentadores fazem um raio-x das duas candidatas a trilionárias e da recém-estreante na Bolsa e apontam que o IPO pode dar fôlego no curto prazo, mas aumenta a pressão por receita. A discussão tende a sair do "tem bolha?" para "quem paga a conta?".
Quando você tem um IPO, isso traz mais pressão sobre uma governança daqueles recursos e, ao mesmo tempo, traz uma entrada de dinheiro. Isso pode dar fôlego para essas empresas conseguirem dar o próximo passo. Mas não tira a pressão de que elas tenham que começar a trazer resultado financeiro; pelo contrário, no médio e longo prazo vai trazer mais pressão para elas se tornarem empresas rentáveis, o que é muito difícil, especialmente para a OpenAI.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.