Flávio aposta em caso Lulinha para desgastar candidatura de Lula 

25 de Ago de 2026 - 15:15
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Flávio aposta em caso Lulinha para desgastar candidatura de Lula 

Com a disputa presidencial acirrada, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) busca transformar o caso Lulinha em uma arma eleitoral contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia dentro do PL é explorar as investigações que envolvem o filho do presidente da República e manter o assunto no centro do debate ao longo da campanha.

A ofensiva ganhou força após novas revelações sobre as relações de Fábio Luís Lula da Silva com a lobista Roberta Luchsinger, que também aparece nas investigações sobre as fraudes nos benefícios do INSS. Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram conversas entre os dois sobre negócios e interlocuções com integrantes do governo.

Lulinha, como é conhecido o filho do presidente, é investigado em três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência e nega irregularidades. Como parte da estratégia eleitoral do PL, Flávio passou a explorar o episódio de forma recorrente em manifestações públicas.

Na semana passada, por exemplo, o candidato citou reportagens sobre as investigações e tentou associar o caso ao escândalo dos descontos indevidos no INSS. A estratégia também já havia aparecido nas redes sociais, com a publicação do vídeo “Missão: localizar Lulinha”, que motivou uma ação judicial movida pela defesa do filho de Lula.

Agora, a campanha do filho de Bolsonaro pretende ampliar o alcance da ofensiva e levar o caso para o horário eleitoral. A decisão coloca as investigações envolvendo Lulinha dentro de uma frente mais ampla de combate à corrupção que o QG de Flávio pretende explorar contra Lula.

A aposta é que a exposição do episódio alcance também eleitores que não acompanham a disputa política pelas redes sociais. Em sua transmissão ao vivo semanal, Flávio comentou as investigações e disse que “pelo modus operandi, o Lulinha não precisa nem fazer teste de DNA. Todo mundo já sabe de quem ele é filho, né?”.

O movimento ocorre em um cenário de disputa equilibrada entre Lula e Flávio pelo voto do eleitor. Pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (24) mostra o petista com 41% das intenções de voto no principal cenário estimulado de primeiro turno, contra 37% de Flávio. Na rodada anterior, Lula tinha 40% e o candidato do PL, 36%. Eles se mantém empatados dentro da margem de erro do levantamento.

No segundo turno, a distância é ainda menor. Lula aparece com 46%, contra 45% de Flávio, diferença de apenas um ponto percentual. Na pesquisa anterior, os números eram de 47% e 45%, respectivamente.

O instituto Nexus ouviu 2.006 eleitores entre os dias 21 e 23 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual e está registrada no TSE sob o número BR-09028/2026.

Flávio leva caso Lulinha para a propaganda eleitoral

A campanha de Flávio Bolsonaro prepara a entrada do caso envolvendo Lulinha no horário eleitoral da disputa presidencial. A estratégia amplia a ofensiva que vinha sendo conduzida nas redes sociais, com o objetivo de levar as investigações sobre o filho de Lula para um público mais amplo.

As primeiras gravações para a propaganda foram feitas na última quarta-feira (19). Em uma das peças, Flávio aparece em um mercado e aborda questões econômicas que afetam diretamente o bolso dos eleitores.

Conforme apurou a Gazeta do Povo, o caso Lulinha vai integrar outro eixo da peça publicitária, voltado ao discurso de combate à corrupção, a partir das revelações sobre a relação do empresário com Roberta Luchsinger. A aposta do PL é combinar dois temas que considera sensíveis para o eleitorado: a situação econômica das famílias e as suspeitas que envolvem o círculo familiar de Lula.

O peso dessa estratégia pode aumentar com as chamadas inserções eleitorais, peças de 30 ou 60 segundos exibidas ao longo da programação normal das emissoras. Para o cientista político Elias Tavares, esse formato permite que o candidato alcance o eleitor durante programas que ele já escolheu assistir, em vez de depender da audiência do horário eleitoral tradicional.

“Na internet, o candidato precisa conquistar a atenção. Na inserção, ele pode aparecer no meio de uma atenção que já existe. O eleitor pode evitar o horário eleitoral, mas continua assistindo ao jornal, à novela e a outras atrações da televisão”, explica Tavares.

Na avaliação do especialista, a principal vantagem das inserções está na capacidade de repetir uma mensagem e aumentar a frequência com que determinado tema aparece para o eleitor. “O bloco permite desenvolver uma mensagem. A inserção oferece repetição. E repetição continua sendo um elemento importante da comunicação eleitoral”, completou.

A ofensiva da campanha de Flávio ocorre às vésperas do início da propaganda eleitoral gratuita. Os programas para presidente e deputado federal terão exibição às terças e quintas-feiras e aos sábados, com a estreia da propaganda presidencial prevista para este sábado (29).

Campanha de Lula busca tirar caso Lulinha do centro do debate

Do outro lado, a campanha de Lula tenta evitar que as investigações envolvendo o filho do presidente se transformem em um problema permanente na corrida eleitoral. A estratégia jurídica adotada neste momento é conter os vazamentos das apurações e questionar a forma como as informações vêm sendo divulgadas.

Em outra estratégia discutida dentro do PT, Lula passou a responder publicamente sobre os inquéritos. Em entrevista à TV Record no domingo (23), o presidente afirmou que não interfere nas investigações e defendeu que as apurações prossigam. “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação”, disse.

Em seguida, Lula afirmou que quem tiver cometido irregularidades e causado prejuízo aos cofres públicos deverá responder por isso. Reservadamente, porém, integrantes do PT reconhecem que as revelações sobre Lulinha e o ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, já provocaram impacto dentro da campanha. A avaliação é de que o episódio abalou o ânimo de militantes e integrantes da coordenação e chegou a atingir o próprio presidente.

Na semana passada ,Lula se reuniu com Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, para tratar das investigações da PF que envolvem o filho. “Quem tocou no assunto fui eu. Ele (Lula) tem dito que Fábio (Lulinha) tem que se explicar e se colocar à disposição da Justiça. Fábio já fez isso”, afirmou o advogado.

Amigo de Lula e um dos coordenadores da campanha à reeleição do petista em São Paulo, Carvalho alega que uma ala da PF atua com viés eleitoral na investigação de Lulinha, fazendo “vazamentos seletivos”, por exemplo. “Meu filho não pode ser tratado acima da lei e nem abaixo da lei. Ele precisa se explicar e dar todas as informações que têm”, teria dito Lula a Carvalho, segundo interlocutores do PT.