Investigação sobre rede bilionária de lavagem de dinheiro chega ao STF

24 de Ago de 2026 - 02:30
 0  1
Investigação sobre rede bilionária de lavagem de dinheiro chega ao STF

Uma complexa rede de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 48 bilhões em cinco anos motivou o envio de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo ao Supremo Tribunal Federal neste mês. A apuração, batizada de Operação Saturno, detectou conexões entre o tráfico de drogas e fraudes envolvendo o Banco Master e aposentadorias do INSS, todos sob a supervisão do ministro André Mendonça.

Como a polícia descobriu esse esquema bilionário de lavagem de dinheiro

Tudo começou em 2024 com a prisão comum de um traficante que portava drogas e R$ 100 mil em dinheiro vivo. A partir dali, os investigadores conseguiram autorização para olhar as contas bancárias dele e de seu fornecedor. O que parecia um caso isolado revelou um emaranhado de transações financeiras. A polícia seguiu o rastro do dinheiro, que saía de contas em nome de 'laranjas' para empresas controladas por operadores especializados em esconder recursos ilegais. O Coaf, órgão que fiscaliza movimentações suspeitas, apontou que o grupo movimentou R$ 48 bilhões em apenas cinco anos.

Qual é a ligação direta entre o tráfico de drogas e o Banco Master

Os investigadores identificaram que o dinheiro da venda de entorpecentes passava por várias empresas até chegar ao banco. Por exemplo, uma distribuidora repassou R$ 7,5 milhões do tráfico para uma fintech chamada Nexpay, que faz pagamentos para sites chineses. Para enviar esse dinheiro ao exterior, a Nexpay utilizava o Banco Master em operações de câmbio. Além disso, outra empresa suspeita de lavar dinheiro, a Wave, enviou quase R$ 1 milhão para um grupo que mantinha fundos no Master e que estaria ligado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De que maneira as fraudes do INSS aparecem nessa mesma investigação

A conexão com as aposentadorias surgiu através de repasses financeiros entre consultorias e empresas de fachada. Uma empresa pertencente ao lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como 'Careca do INSS', transferiu R$ 13,7 milhões para a Arpar Administração. Esta última, por sua vez, enviou dinheiro para outras cinco firmas que são suspeitas de receber recursos diretamente do tráfico de drogas. Essa rede Arpar é vista como uma peça-chave para misturar dinheiro de crimes diferentes, dificultando o trabalho das autoridades em identificar qual é a origem real de cada montante.

Quem são os responsáveis pelas empresas e como eles operavam

A investigação indiciou oito pessoas que controlavam o que chamaram de 'sistema financeiro paralelo'. Esses operadores ofereciam serviços que iam desde a abertura de contas fraudulentas até a compra de criptomoedas e câmbio ilegal. Para não aparecerem, eles usavam documentos de trabalhadores de baixa renda para abrir empresas de fachada. Essas pessoas, os 'laranjas', recebiam pagamentos mensais de cerca de R$ 2 mil apenas para emprestar seus nomes, sem ter ideia de que suas contas estavam sendo usadas para girar bilhões de reais vindos de atividades criminosas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.