'Ficam me bajulando', disse Trump sobre chefões de big techs, segundo livro
Trump teria ridicularizado, em conversas privadas, a tentativa de aproximação de chefões de big techs como Mark Zuckerberg e Jeff Bezos após a eleição de 2024, segundo livro de jornalistas do The New York Times.
O que aconteceu
O relato está no livro dos repórteres Maggie Haberman e Jonathan Swan, do jornal The New York Times. A obra, prevista para ser lançada em 23 de junho, descreve episódios em que Trump exibiu mensagens enviadas por executivos e depois os ironizou para aliados. O título do livro é "Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump" (Mudança de Regime: Por dentro da presidência imperial de Donald Trump, em tradução livre).
Trump teria contado a convidados que recebeu mensagens elogiosas de líderes do setor de tecnologia e que fazia questão de mostrá-las. "Vocês não acreditariam nas mensagens que recebi desses caras da tecnologia. Tenho que mostrar para vocês", teria dito, de acordo com o livro.
[Zuckerberg e Bezos] ficam me bajulando
Donald Trump, segundo trecho do livro "Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump"
O livro afirma que Zuckerberg enviou a Trump a foto de uma carta escrita por um de seus filhos, em idade de ensino fundamental. No texto, a criança dizia esperar pela "era de ouro da América", um slogan repetido por Trump em comícios durante a campanha presidencial.
Os autores relatam que, semanas depois de encontros com esses executivos, Trump ainda se gabava da suposta bajulação. Em uma conversa com Elon Musk, ele teria comparado a postura de Zuckerberg e Bezos em 2016 com a de 2024.
Pense onde esses caras estavam em 2016. Eles me odiavam. Faziam tudo o que podiam para me derrubar. E olha eles agora
Donald Trump, segundo trecho do livro "Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump"
Musk teria reagido com satisfação ao que o livro descreve como humilhação de rivais do setor. "Bajulação de primeira classe", teria respondido, segundo o relato.
No fim do seu primeiro mandato, Donald Trump foi expulso do Facebook e Instagram. Na época, a rede social alegou como motivo as postagens durante a invasão do Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro, e também alegações infundadas sobre as eleições. A Meta anunciou o fim da suspensão em 17 de março de 2023. Sobre Bezos, Trump era crítico à cobertura do jornal The Washington Post, comprado pelo empresário em 2013, sobre ele. Além disso, o empresário fundador da Amazon chegou a alegar que perdeu um contrato de nuvem para a Microsoft em 2019 por vingança pessoal.
O livro também descreve um encontro de Zuckerberg com Trump em Mar-a-Lago, pouco depois do Dia de Ação de Graças de 2024. Segundo os autores, Trump tocou no sistema de som o hino nacional em uma versão gravada por um grupo de presos ligados aos atos de 6 de janeiro, conhecido como J6 Prison Choir.
Bezos é retratado como alguém que concordou com as críticas de Trump ao "The Washington Post" durante um jantar em dezembro de 2024. "Esse Washington Post [jornal comprado por Bezos em 2013] é muito injusto. Você tem que cuidar melhor", teria dito Trump, ao que Bezos teria respondido: "As pessoas lá são terríveis. Elas não me escutam. Nas minhas outras empresas, me escutam."
Apesar de zombar das lideranças, . Fora Zuckerberg e Bezos, estavam ainda em posição de destaque Tim Cook (da Apple), Sundar Pichai (do Google), Sam Altman (da OpenAI) e Elon Musk (da SpaceX e Tesla e que, posteriormente, faria parte do Departamento de Eficiência Governamental dos EUA).
Pedido da Blue Origin não avançou
Meses após o jantar, Bezos teria tentado transformar a relação em um pedido de negócios ligado à Blue Origin, sua empresa espacial. Segundo o livro, ele procurou Trump em julho de 2025 para defender que era um risco de segurança nacional deixar a SpaceX, de Musk, dominar a infraestrutura espacial dos EUA.
De acordo com os autores do livro, Bezos sugeriu que o governo buscasse "diversidade de contratantes" em contratos espaciais. A ideia, segundo o relato, seria abrir espaço para a Blue Origin competir com a SpaceX, inclusive em instalações como o Complexo de Lançamento Espacial 37, em Cabo Canaveral.
Trump teria dito que consideraria o pedido, mas a mudança não ocorreu. Os autores afirmam que, nos meses seguintes, Trump se reaproximou de Musk e ampliou o acesso para a operação do Starship, da SpaceX.
O que disseram Casa Branca e empresas
Procurado sobre o conteúdo do livro, o porta-voz da Casa Branca Kush Desai não respondeu diretamente às cenas descritas. "O presidente Trump está comprometido em trabalhar com todas as empresas e líderes empresariais americanos para consolidar a liderança inovadora dos EUA, trazer de volta a produção crítica e acelerar o crescimento econômico", disse em resposta a um pedido de comentário da revista americana Wired.
Uma pessoa familiarizada com os episódios envolvendo Bezos disse que o fundador da Amazon tenta trabalhar com qualquer presidente. Segundo essa fonte, ele já atuou assim desde Bill Clinton e chegou a doar US$ 100 milhões para a biblioteca presidencial de Barack Obama.
Porta-vozes de Musk e da Meta não responderam a pedidos de comentário. A Blue Origin, de Bezos, também não se manifestou.
*Com informações da Wired e do The New York Times