Sucesso não é isso

19 de Jun de 2026 - 12:30
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Sucesso não é isso

Por causa de umas leituras e umas rasteiras da vida, tenho pensado muito no sucesso. Ou melhor, Sucesso. Esse demônio que, sorrateiramente, tem nos escravizado até mais do que . Não me refiro, aqui, ao sucesso santo, decorrente da nossa . Pelo contrário! Estou falando do sucesso que se conquista à custa dessa mesma vocação.

Esta é a grande calamidade do nosso tempo cheio de calamidades: a devoção a uma ideia deformada de sucesso. Um sucesso que se reflete em fama, dinheiro, poder e influência. E que, convenientemente, jamais para para (maldita reforma ortográfica!)(viu como às vezes o “pra” é necessário, Dani?) pensar no porquê e no paraquê disso. Afinal, assim nos ensinaram os professores e os intelectuais e os filmes e a publicidade e principalmente o Maquiavel de almanaque: a busca pelo sucesso justifica os meios para a obtenção desse mesmo sucesso.

Reizinho tirânico

Começando, pois, do básico do básico, aproveito este meu espaço para lhe perguntar: o que é o sucesso para você? É ter uma casa com aquelas portonas ridículas de 3m de altura? É ter 10MI seguidores no Instagram? Ou R$3 bi na conta bancária, talvez? É ser premiado, laureado, incensado? É ver prevalecer nas urnas sua visão de mundo? E aqui, antes que os pontos de interrogação se acumulem para além do razoável, serei taxativo: para o homem contemporâneo, ter sucesso é ser um reizinho tirânico de um universo particular.

Claro que a questão não se esgota em mais ou menos 300 palavras, mas o objetivo desta crônica provavelmente fracassada, em termos de audiência, não é esse. O objetivo desta crônica é plantar na cabeça do leitor a dúvida saudável (mas sofrida) quanto ao valor intrínseco do sucesso que buscamos com tanto afinco, sem nos perguntar por que ou para quê, e comumente atropelando valores e instrumentalizando as pessoas ao nosso redor. Taí a contradição última do meu fracasso: se conseguir te fazer pensar um pouquinho nisso, terei sido bem-sucedido.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista, crítico literário, escritor e tradutor. Publicou, entre outros livros, “Manuel Bandeira - A Vida Toda Que Poderia Ter Sido e Foi”, “O Homem que Matou Luiz Inácio” e “Desculpe & Outros Textos que Ninguém Vai Ler”. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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