EUA: adolescente retira ação contra Meta por dependência em redes sociais
Um adolescente retirou uma ação judicial contra a Meta, anunciaram seus advogados hoje, encerrando sem julgamento um caso sobre os supostos efeitos nocivos das redes sociais em menores.
A retirada pôs fim ao caso poucos dias antes do início em Los Angeles, em 27 de julho, do julgamento contra a Meta. YouTube, TikTok e Snap chegaram a acordos confidenciais com o demandante de 15 anos para retirar sua acusação.
O demandante, identificado pelas iniciais R.K.C., é um adolescente da Flórida que diz que o uso compulsivo das redes sociais contribuiu para que desenvolvesse , depressão e pensamentos suicidas, pelos quais segue em tratamento.
Seu caso foi selecionado como piloto para ajudar a resolver milhares de ações judiciais similares em todo o país.
Um primeiro julgamento terminou em março com uma sentença contra a Meta e o Google. Um juiz de Los Angeles ordenou às duas empresas indenizar uma mulher de 20 anos, K.G.M. com seis milhões de dólares (aproximadamente R$ 30 milhões, na cotação da época).
"R.K.C. se incorporou a este processo, querendo responsabilizar as companhias de redes sociais e pressionar por mudanças para proteger jovens como ele. Conseguiu", disseram os advogados Emily Jeffcott e Rahul Ravipudi.
"À luz do resultado globalmente bem-sucedido do litígio e de suas preocupações em suportar um julgamento exaustivo de várias semanas, [o demandante] decidiu retirar suas reclamações contra a Meta", acrescentaram. "Está pronto para encerrar este capítulo, se concentrar em sua recuperação e se dedicar à terapia, enquanto pretende ter uma vida normal".
Um porta-voz da Meta disse em um comunicado: "Dias depois de chegar a um acordo com outras empresas de redes sociais, o demandante abandonou seu caso contra a Meta, o único acusado que restava, sem receber nenhum pagamento".
"As reclamações nunca se sustentaram e este resultado deixa claro que não retrocederemos na hora de nos defendermos de processos infundados", acrescentou.
Segundo a Meta, as provas demonstraram que o adolescente passava apenas alguns minutos por dia no Facebook e no Instagram, e criou a maioria de suas contas depois de contratar um advogado para apresentar a ação.
O YouTube chegou a um acordo confidencial com R.K.C. em junho, e o TikTok e o Snap alcançaram seus próprios acordos em 1º e 20 de julho, respectivamente.
A Meta enfrenta uma avalanche de ações legais por acusações de que seus produtos criam dependência e causam danos aos jovens.
Outro caso no Novo México concluiu que a Meta era responsável por enganar os consumidores sobre os riscos para a segurança que suas plataformas representam para os menores. O júri ordenou que a empresa pague 375 milhões de dólares (R$ 1,89 bilhão) em danos.