Entrada na Bolsa de líder global em robôs sela vitória da China sobre EUA
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: , , , , )
Duas cenas simbolizam o cenário atual da robótica no mundo. Uma delas ocorreu em março, quando Melania Trump, a primeira dama dos Estados Unidos, desfilou na Casa Branca com o humanoide Figure 3, fabricado pela empresa Figure AI.
A outra ainda está por acontecer: a empresa chinesa Unitree prepara sua entrada na Bolsa e pretende captar 4,7 bilhões de yuan (cerca de US$ 600 milhões), quantia modesta se comparada a outros IPOs.
O que une os dois episódios é a distância entre as duas companhias. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz discutem por que a China virou líder da "IA com braços e pernas" e o que isso muda na indústria.
A Unitree, ano passado, vendeu 5.500 robôs. Ela é responsável por vender 30% dos robôs humanoides no mundo inteiro. Ela é o expoente do que a gente pode dizer de avanço de inteligência artificial com braços e pernas. E ela exemplifica o que a China quer com a robótica. [...] A Unitree vai entrar na Bolsa com o objetivo de captar 4,7 bilhões de yuan, que dá mais ou menos US$ 600 milhões. Quando a gente compara com os US$ 39 bilhões que a Figure AI já tem de avaliação hoje, sendo uma empresa fechada, você pensa que essa empresa chinesa é minúscula. O ponto é que ela já vende robôs, e ela vende robôs a um preço barato.
Helton Simões Gomes
Enquanto isso, a Figure AI vendeu cerca de 150 unidades, em sua maioria para uma fábrica da BMW, apesar do peso de investidores como Tesla, Qualcomm, Nvidia, Salesforce e o braço de investimentos da Intel.
A situação das duas representa o abismo que separa Estados Unidos e China.
Helton Simões Gomes
A Unitree é símbolo de uma estratégia mais ampla, diz Cortiz. A robótica humanoide chinesa é abastecida por uma cadeia de suprimentos -peças, semicondutores e chips-, além de recorrer a tecnologias de rede, como o 6G. Tudo isso permite dar mais autonomia e a esses robôs.
Fora isso, os robôs da Unitree são mais baratos que os da sua contraparte norte-americana. A Figure AI fala em cobrar US$ 27 mil por unidade, enquanto a chinesa tem modelos vendidos por US$ 13 mil e planos de baixar para US$ 6 mil.
Sonho do governo chinês, a substituição do trabalho braçal nas fábricas por robôs ainda não é realidade. Os usos mais recorrentes são recepcionista, guia turístico e inspetor de segurança em plantas industriais.
Para Cortiz, a automação até pode dar escala e produtividade, mas cria um dilema para o mercado de trabalho chinês. O país terá de equilibrar ganhos industriais e o destino de trabalhadores dispensados das fábricas.
É uma questão de tempo até que a China consiga automatizar cada vez mais o processo e, com isso, [ir] ganhando uma escala ainda maior. Agora o impacto disso também a gente precisa ver como vai funcionar, principalmente para a questão do trabalho, do mercado de trabalho na China. [...] É um trade-off que a China também vai precisar equalizar: a automação para o ganho de escala, ganho de produtividade, versus o que vamos fazer com essa nova massa de pessoas que vão deixar as fábricas.
Diogo Cortiz
Professora faz lixo virar tecnologia e é eleita a mais influente do mundo
Eleita a professora mais influente do mundo, a paulista Débora Garofalo diz que foi pega de surpresa com o prêmio Global Teacher Prize de 2026, concedido a ela pela Varkey Foundation, que criou o "Nobel da Educação".
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, a docente conta como levou robótica e programação a escolas em situação de vulnerabilidade e como isso usando sucata retirada do lixo.
O reconhecimento internacional só veio após Garofalo superar falhas de infraestrutura na escolha onde trabalhava, na Zona Sul de São Paulo, e ensinar aos alunos que a tecnologia pode ser mais que um brinquedo e virar uma ferramenta para solucionar problemas reais.
Tecnologia contra a dor: alunos criam sensor anti-incêndio após irmã morrer
Uma tragédia em uma favela de São Paulo foi o estopim para alunos de 12 anos criarem uma solução para reduzir o risco de incêndios ligados à rede elétrica. Quem conta a história é a professora Débora Garofalo, eleita a mais influente do mundo no prêmio Global Teacher Prize de 2026, concedido a ela pela Varkey Foundation, que criou o "Nobel da Educação". sobre tecnologia na escola.
Em entrevista ao novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, ela conta como a tecnologia pode atravessar disciplinas e virar ferramenta para resolver, não só demandas estruturais da comunidade, mas do cotidiano dos estudantes.
A gente está falando de crianças que vivem em comunidades extremamente carentes, e sabe que, em algumas delas, é muito comum ter os chamados gatos de energia elétrica. Dois estudantes meus relataram que, em um dos incêndios na comunidade, perderam a irmãzinha. Ela era deficiente e não conseguiu sair a tempo. Nem eles conseguiram tirá-la. E, ao criar o temporizador de energia, era justamente para evitar problemas de sobrecarga no sistema elétrico, para desativar a energia e não acontecer incêndios (...) Então vejam: a gente está falando de crianças de 12 anos de idade, pensando em soluções muito maiores para problemas que eles enfrentam diariamente do cotidiano.
Débora Garofalo
Brasileiro paga mais para usar IA só por falar português
Falar português pode fazer o uso de inteligência artificial sair caro, devido à forma de cobrança em serviços por assinatura, conta Diogo Cortiz no novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.
Segundo Cortiz, a diferença está na forma como os modelos transformam texto em "tokens". Essas unidades de dados são criadas a partir das palavras e cruciais para modelos de IA processar, entender e gerar textos.
Quando a gente está usando, por exemplo, APIs e serviços comerciais, a gente paga por token. Você pode fazer a mesma frase em português e em inglês e, geralmente, em português, pela natureza da língua e pela representação nesses dicionários, tende a consumir entre 15% a 20% mais de token. Ou seja, a gente gasta mais na inteligência artificial só pelo fato de falar português.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.