Em derrota para governo Lula, Senado aprova PEC com impacto de R$ 27 bilhões

14 de Jul de 2026 - 20:30
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Em derrota para governo Lula, Senado aprova PEC com impacto de R$ 27 bilhões

O Senado aprovou nesta terça-feira (14) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A PEC é considerada uma "pauta-bomba" pelo governo Lula (PT), com impacto de R$ 27 bilhões em dez anos.

O texto foi aprovado em dois turnos, com o placar de 73 votos favoráveis, 1 contrário e 1 abstenção. O texto segue para a promulgação. Por se tratar de uma PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem a possibilidade de vetar a medida.

Em nota técnica, o Ministério da Previdência afirmou que a PEC "agravará de forma imediata o desequilíbrio financeiro e atuarial dos regimes de previdência".

Do impacto estimado para a próxima década, cerca de R$ 17,6 bilhões recairiam sobre os regimes próprios de previdência dos municípios, enquanto R$ 10,3 bilhões seriam suportados pela União.

O texto prevê que as duas categorias terão direito à aposentadoria com idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de efetivo exercício na atividade profissional.

Durigan indica que governo deve acionar o STF para barrar pauta-bomba

Durante a votação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), caso o Congresso não apresente uma fonte de compensação para a PEC dos agentes de saúde.

"A gente vai avaliar. Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao STF", afirmou Durigan a jornalista.

Líder do governo se recusou a votar

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, liberou o voto da bancada e anunciou que não votaria. "Este é o meu batismo de fogo [na liderança do governo], porque a minha posição pessoal não é pode ser a do governo que eu represento", disse Teresa a Alcolumbre.

"Se eu libero uma bancada que vota 'sim' e voto contra, eu não lidero mais essa bancada. Espero que esta seja a primeira e última vez que não votar. Eu não voto em abstenção", ponderou. O voto da senadora foi registrado como "não compareceu" no sistema do Senado.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra a PEC. Já o senador Eduardo Girão (Novo-CE) se absteve.