Alvo de críticas, Bukele defende reforma constitucional que permite reeleição ilimitada
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, defendeu nesta terça-feira (14) a reeleição presidencial por tempo indeterminado, uma medida permitida no país desde julho de 2025 por meio de uma reforma constitucional, enquanto busca um terceiro mandato como chefe do Executivo.
Ele respondeu a uma mensagem na rede social X, na qual Carolina Jiménez Sandoval, presidente do Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (WOLA), questionou a reeleição por tempo indeterminado no país.
"Países com reeleição por tempo indeterminado na América Latina: Venezuela, Nicarágua, El Salvador. Que fique bem claro a qual clube Nayib Bukele está se juntando agora", escreveu Jiménez.
Em resposta, Bukele publicou que "Canadá, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda, Itália, Holanda, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Luxemburgo, Áustria, Suíça e Japão, entre muitos outros países, também a têm. Mas a ideia é fazer parecer ruim", acompanhado de um emoji de risada.
O partido Novas Ideias (NI) de Bukele anunciou na segunda-feira passada que o presidente venceu a indicação presidencial para as eleições de 2027 em uma primária realizada no domingo.
Bukele, de 42 anos, não comentou publicamente sobre esse processo interno, no qual aparentemente concorreu sem oposição.
Como próximo passo rumo às eleições gerais de fevereiro de 2027, o presidente salvadorenho deve registrar sua candidatura junto ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) entre 1º de outubro e 19 de novembro de 2026, de acordo com o calendário do órgão eleitoral.
A Assembleia Legislativa (Parlamento), dominada pelo partido NI, aprovou e ratificou, em sessão única em 31 de julho de 2025, sem análise ou debate prévios, a reforma dos artigos 75, 80, 133, 152 e 154 da Constituição, abrindo caminho para que Bukele concorra a um terceiro mandato consecutivo.
Essa reforma inclui a extensão do mandato presidencial dos atuais cinco para seis anos e a eliminação do segundo turno.
Bukele assumiu seu segundo mandato consecutivo em 1º de junho de 2024, apesar de a Constituição proibir isso na época, e o mandato deveria terminar em 2029. No entanto, a reforma aprovada pelo Congresso antecipou as eleições presidenciais para 2027, quando também serão realizadas eleições para deputados e prefeitos.