Efeito secundário de alta de petróleo exige BC mais vigilante, diz Galípolo

13 de Mai de 2026 - 10:30
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Efeito secundário de alta de petróleo exige BC mais vigilante, diz Galípolo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o órgão precisa ser ainda mais vigilante por causa dos impactos secundários nos preços provocados por choques, como o que a economia mundial sofre agora por causa da guerra no Oriente Médio.

O que aconteceu

Banco Central tem objetivo de defender a moeda. Falando na abertura da a IV Conferência Anual do Banco Central do Brasil, no Edifício-Sede do Banco Central, em Brasília, o presidente do órgão, Gabriel Galípolo, reforçou que o mandato do órgão "é defender o custo de vida das pessoas, a moeda, os preços".

Essa missão se torna mais desafiadora em momentos de choques econômicos. Galípolo disse que a economia mundial passou por quatro grandes choques nos últimos anos. E, nessas situações, a inflação é diferente porque não é alimentada pelo aumento da demanda, ou seja, porque as pessoas estão consumindo mais, mas por outros fatores — no caso atual, por exemplo, pelo encarecimento do petróleo no mundo provocado pela guerra no Oriente Médio.

Neste momento, [o desafio] é conseguir separar o que efetivamente um processo de choque de oferta, por efeito geopolítico ou climático, dos efeitos de segunda ordem, que a gente precisa estar ainda mais vigilante que estaria normalmente, dado que a gente tem uma economia com expectativas desancoradas, com mercado de trabalho apertado. Não é uma abordagem simples. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Sempre que for desafiado, Banco Central vai seguir dando a resposta, disse Galípolo. Segundo ele, o órgão "não vai se desviar daquilo que é seu objetivo, que é o controle do processo inflacionário".

Além da guerra no Oriente Médio, que encareceu o preço do petróleo, outros eventos impactaram preços nos últimos anos. Segundo Galípolo, o Banco Central precisa, nessas situação, "está reforçando o seu barco para poder navegar nesses período de maior desafio e adversidade". Os preços da economia mundial foram impactados nos últimos anos pelos efeitos climáticos, como El Nino, que encarecem as commodities, pela elevação das tarifas de importação promovidas governo dos Estados Unidos, pela guerra entre Rússia e Ucrânia e, antes, pela pandemia.

Banco Central reduziu a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, de 14,75% ao ano para 14,5% ao ano, na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em março. já era esperada pela maior parte do mercado financeiro. — um tipo de contrato negociado na B3 com previsões para essa decisão.

Guerra foi apontada como motivo de incerteza e que exige mais cautela na redução dos juros. O comitê avalia que o conflito gera incerteza global e exige cuidado dos países emergentes diante da oscilação de preços.

Inflação oficial do Brasil em abril foi a maior para o mês em quatro anos. A variação de 0,67% representou uma desaceleração do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em relação à alta de 0,88% registrada em março. e se reaproximou da margem superior de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta de 3% definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Próxima reunião do Copom será nos dias 16 e 17 de junho. Expectativa predominante entre agentes de mercado, apuradas por meio de , negociados na Bolsa B3, é a de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. Essa é a posição de 65% dos agentes econômicos. Outros 26,5% esperam manutenção da taxa, e apenas 6,5% deles acredita numa redução de 0,5 ponto percentual. Outros 2% se dividem em outros cenários.