Delay na CazéTV: cabo submarino explica mais o atraso do que rixa com Globo
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
O delay nas transmissões por streaming já é o personagem da Copa —e até motivo de briga de condomínio quando alguém assiste pela TV aberta e grita gol antes. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e contam como nasce o atraso nas transmissões e por que ele não some.
Com Globoplay e CazéTV exibindo partidas via streaming de vídeo, o público passou a comparar, em tempo real, o sinal por ondas da TV aberta com a internet. A diferença, dizem os apresentadores, está no caminho físico dos dados e no "truque" do buffer para evitar travamentos.
O delay, do ponto de vista técnico, é a diferença entre, numa transmissão ao vivo, daquilo que acontece no campo e o que acontece na sua tela. A bola está rolando nos Estados Unidos, isso é filmado e vai para um servidor. O dado tem que passar por cabo submarino, aportar no Brasil em Fortaleza, descer para o Rio de Janeiro e entrar num data center. Depois, a transmissora empacota: narrador, logomarca, patrocinador. Quem está mais perto de São Paulo e Rio tende a receber antes. Depois, o dado vai para os hubs locais. Por isso, alguém em Campo Grande (MS) pode receber depois de alguém no Rio.
Helton Simões Gomes
Para explicar a "engenharia do delay", Helton conversou com Tiago Pongelupi, diretor da Elea, empresa de data centers com unidades em São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Antes de chegar à casa das pessoas, a transmissão passa por essas grandes centrais de dados, e, no caso da Copa, os serviços da Globo ficam hospedados na estrutura da companhia.
No primeiro jogo do Brasil, um empate com o Marrocos, o data center da Elea no Rio registrou pico de 865 Gigabytes por segundo, o equivalente a 30 mil fotos enviadas por segundo, quatro vezes a média habitual.
Além do caminho físico, as plataformas de streaming adicionam uma etapa para "enganar" o usuário: o serviço guarda na memória alguns frames na memória do celular, da TV ou do computador; ao soltá-las, mantém a imagem fluida. O processo é chamado de buffering.
O serviço não pega e manda a cena direto pra gente. Para dar aquela sensação de movimento, ele vai acumulando as informações, segura um pouquinho, guarda na memória. Depois, começa a soltar. Tudo isso acontece em segundos, é super rápido, mas entra na conta do delay. E, como não dá para fazer as distâncias físicas sumirem, o delay nunca vai deixar de acontecer. Ponto final. Só que tem formas de reduzir o delay.
Helton Simões Gomes
Na lista do que depende das plataformas, Helton afirma que empresas de transmissão precisam levar conteúdo para mais hubs locais e ampliar a infraestrutura de conectividade, como backbone de fibra óptica, roteadores e switches. Mas, como isso custa caro, o cálculo, no fim das contas, é investir milhões de reais para cortar "alguns segundos" do delay.
Do lado do usuário, há algumas medidas para diminuir o atraso no streaming:
- deixar o roteador em local desobstruído,
- ligar a TV no cabo de rede (ethernet) em vez de conectá-la ao Wi-Fi
- evitar que outras pessoas usem a conexão durante o jogo para não congestionar a rede.
Helton também explica por que o "truque" de colocar o vídeo em 2x pode reduzir o atraso por alguns instantes: ao acelerar, o player queima o buffer. Só que a imagem tende a travar depois, porque o serviço precisa recompor essa reserva.
Para um ajuste mais estável, a recomendação é reduzir a qualidade do vídeo para priorizar velocidade em vez de resolução. A partir do menu "dados para nerd" do YouTube, que mostra indicadores como latência e buffering, é possível observar a queda desses números ao sair do 4K.
UOL, Folha e OpenAI: como é o 1º acordo de licenciamento de IA no Brasil?
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no.
O primeiro acordo de licenciamento de conteúdo jornalístico para uma empresa de inteligência artificial no Brasil abriu uma fila de dúvidas práticas: o que a OpenAI pode usar, o que fica de fora e como isso muda (ou não) a relação do público com a informação.
No novo episódio de Deu Tilt, Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, responde perguntas do quadro Help Desk sobre a parceria entre UOL, Folha e a OpenAI.
É importante esclarecer qual é o acordo. São dois acordos diferentes, mas muito semelhantes. Um é do UOL, outro é da Folha. São empresas diferentes, não é a mesma empresa. Então são dois contratos. E claro que os contratos se referem somente ao conteúdo produzido pelo UOL e pela Folha.
Murilo Garavello
Antes de Trump barrar, Deu Tilt usou IA poderosa: 'resolveu em 30 minutos'
Durou pouco e deixou saudades do que muita gente não viveu. O Fable 5, modelo da IA mais poderosa criada pela Anthropic, ficou disponível por poucos dias até que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, mandou a empresa proibir o acesso aos serviços para quem não é norte-americano. Na impossibilidade de descobrir quem é ou não nascido nos EUA, a Anthropic puxou a tomada do Fable 5.
Mas neste novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz conta como foi usar o Fable 5 nos pouquíssimos dias em que ficou disponível.
O pesquisador recorreu ao modelo para recriar um experimento voltado a reconhecer emoções expressadas em português por diferentes modelos de IA. Já realizado para outros serviços de IA no passado, o desafio agora era replicá-lo para as ferramentas atuais, que são muito mais complexas. O trabalho estava empacado, mas o Fable 5 identificou e resolveu o gargalo em 30 minutos, conta Diogo. Só não seguiu adiante, porque o pesquisador perdeu acesso a ele. E o motivo é algo que pouca gente fala sobre a IA mais poderosa da Anthropic e não tem nada a ver com a decisão de Trump.
Unico x Serasa: por que você deve se preocupar com o maior roubo de dados biométricos do Brasil?
Sabe o reconhecimento facial que você faz para abrir contas em bancos, perfis em lojas varejistas ou em planos de saúde? Essas imagens compõem um banco de dados biométricos que está no centro de uma das maiores disputas tecnológicas do Brasil.
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como a briga judicial entre Unico e Serasa deveria preocupar todos os brasileiros.
Parece filme de espião, mas o caso está correndo na Justiça: a Unico, firma de verificação biométrica usada por bancos como Itaú e varejistas como o Magali, acusa a Serasa, um dos maiores birôs de crédito do país, de acessar seu sistema indevidamente e, na prática, roubar informações armazenadas em seus bancos de dados.
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.