Crise de chips faz Apple aumentar preços no Brasil; iPhone fica de fora
Apple reajusta os preços de iPads e computadores no Brasil após a disparada no custo global de chips de memória e armazenamento. Por enquanto, valores dos iPhones não sofreram alterações.
O que aconteceu
Apple anunciou nesta quinta-feira aumentos em iPad e Mac, citando que não consegue mais absorver a alta de componentes. Em comunicado, a empresa afirmou: "Nunca vimos um aumento de preço de componentes tão grande e tão rápido. Protegemos nossos clientes desses aumentos até agora, mas chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de vários produtos, incluindo os aumentos anunciados hoje para o iPad e o Mac."
Reajuste também ocorre no Brasil, com alta no MacBook Neo, linha de entrada da marca. Nos EUA, o preço inicial do modelo sobe de US$ 599 para US$ 699, enquanto no Brasil o MacBook Neo de 256 GB passa de R$ 7.300 para R$ 8.500 e a versão de 512 GB com Touch ID vai de R$ 8.500 para R$ 9.700.
Modelos mais caros também ficaram mais salgados em ambos os mercados, com destaque para configurações com mais armazenamento. Nos EUA, o MacBook Air com 512 GB foi de US$ 1.099 para US$ 1.299 e o MacBook Pro com 1 TB subiu de US$ 1.699 para US$ 1.999; já o iPad Air com 128 GB passou de US$ 599 para US$ 749.
No Brasil, o MacBook Air com 512 GB também teve reajuste de dois dígitos. A versão de 13" com chip M5, 16 GB de memória e 512 GB de SSD foi de R$ 14.000 para R$ 16.000, e o modelo de 15" com a mesma configuração passou de R$ 16.000 para R$ 18.000.
MacBook Pro com 1 TB também encareceu no país, com aumento de até 19% em algumas versões. O modelo de 14" com chip M5, 16 GB de memória e 1 TB de SSD foi de R$ 21.000 para R$ 25.000, enquanto a versão de 14" com chip M5 Pro e 1 TB subiu de R$ 27.000 para R$ 31.000.
Por que os preços estão subindo?
Alta é atribuída ao aperto no mercado de memórias, . Empresas como a Micron direcionaram capacidade para atender companhias como a Nvidia, o que reduziu a oferta para eletrônicos de consumo.
Analistas avaliam que o cenário deve seguir pressionado no curto prazo. "O cenário do mercado de chips de memória está difícil e continuará estruturalmente difícil no futuro próximo", disse Ben Bajarin, presidente-executivo da consultoria Creative Strategies.
Tim Cook já havia sinalizado a investidores que a conta de memória começaria a pesar mais nas margens da empresa. "Esperamos custos de memória significativamente mais altos", disse o CEO em teleconferência com analistas no fim de abril.
iPhone está fora do reajuste, por enquanto
A mudança anunciada não atinge o iPhone, principal fonte de receita da Apple. Ainda assim, a própria empresa indicou que o impacto dos custos pode aumentar depois terceiro trimestre.
Em outra fala a analistas, Cook disse que o efeito tende a crescer ao longo do ano. "Embora não forneçamos detalhes além de junho, posso dizer que, após o trimestre de junho, acreditamos que os custos com memória terão um impacto cada vez maior em nossos negócios", afirmou.