Conheci Woodstock e realizei um dos maiores sonhos da minha vida
Nesta quarta-feira (8), foi o primeiro dia livre na Copa do Mundo. Terminando as oitavas de final, este é o dia sem jogo algum, e o próximo dia livre será no domingo (12).
Bom, um dos meus sonhos de pré-adolescência era conhecer Woodstock por motivos muito óbvios, mas vou explicar melhor. Tenho muito forte como referência na minha filosofia e ideologia de vida o movimento hippie e a música da época. Todos sabem que sou apaixonado por Rock, Heavy Metal, Blues, Folk, Folk-Rock, Country, Country Rock, Reggae, Punk Rock, Jazz, Black Music, Disco Music e Funk americano, mas o segmento de que mais gosto é o Rock Psicodélico.
Então, aproveitei esse dia livre para realizar esse sonho e fui com amigos conhecer Woodstock, o lugar onde aconteceu o maior movimento de paz e amor, de energia positiva, de luta contra a guerra do Vietnã e em apoio aos Direitos Civis ligados à contracultura, que foi o Festival de Woodstock. Me apaixonei pela Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Santana, The Who e tantas outras bandas — algumas até desconhecidas no Brasil — que estiveram nesse festival.
Em agosto de 1969, por três dias, os jovens de espírito se sentiram totalmente livres para curtir um som inacreditável de todos esses gênios. De 15 a 18 de agosto de 1969, essa geração esteve em peso, com mais de 450 mil pessoas curtindo do fundo do coração a "Era de Aquário", quando a energia de paz, amor e liberdade brota da nossa alma e nos faz entender como o mundo poderia ser melhor.
Ver ao vivo as composições interpretadas pela voz doce da genial Joni Mitchell deve ter sido uma viagem, assim como estar diante do espetacular Joe Cocker e The Grease Band cantando do fundo de sua alma "With A Little Help From My Friends", dos Beatles, que ficou para a história como uma das maiores interpretações ao vivo de todos os tempos.
Visitei todos os lugares, mas me encantei e me emocionei muito no Museu, onde vi várias fotos e trechos do festival em salas com puffs para deitar, além do vidro da frente de um ônibus completamente psicodélico deixado para trás depois do festival. Entrei num cinema que passa 10 minutos de trechos do festival com depoimentos de alguns participantes daquela época. Comprei dois discos incríveis — que vou guardar segredo para mostrar na Relíquia do Rock no UOL —, camisetas do show e uma bata linda com o símbolo de Peace & Love.
E o mais importante foi sentir a energia do lugar. Estar no mesmo lugar em que a Janis Joplin esteve já me faz chorar de emoção. Não sei explicar, mas foi como se ela estivesse me observando, inclusive porque eu estava com o seu rosto estampado no meu peito.
Quando fiquei sabendo onde ficaria durante a Copa, meu primeiro pensamento foi esse:
"Na primeira folga da Copa, vou para Woodstock de qualquer maneira."
Fosse de ônibus, trem ou carona, mas eu iria. E fui mesmo.
Nesta Copa, fora o futebol, tive dois momentos incríveis que serão muito difíceis de repetir. O primeiro foi ter me encontrado com o incrível Zohran Mamdani, prefeito progressista de NY que está revolucionando a cidade e que o povo nova-iorquino adora porque é gente como a gente. Ele me tratou com muito carinho e atenção, e lhe dei três camisas: uma camisa 9 com meu nome, uma camisa 8 escrito Sócrates e outra camisa 8, mas escrita Mamdani. E o segundo foi o dia de hoje, quando conheci e realizei meu sonho de estar e sentir a energia de Woodstock.
Bom, neste momento estou sentado numa poltrona de um trem indo para Boston, porque nesta quinta-feira (9) terei o prazer de assistir a França x Marrocos, que tem tudo para ser um grande jogo. A seleção marroquina está jogando muito bem e não jogará totalmente na retranca contra a França, que apresentou o melhor futebol jogado até agora. Jogando assim, Marrocos pode surpreender, mas também dará espaço para os quatro atacantes franceses fantásticos: Dembélé, Mbappé, Olise e Barcola (ou Doué).
Realizar sonhos nos enche de energia e de confiança para correr atrás de outros objetivos na vida, sejam quais forem.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.