Com IA para robô, humanos pensarão duas vezes antes de bullying com máquina
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; ; )
O Google diz ter dado um passo definitivo para tirar os robôs do "modo laboratório", quando o ambiente não pode mudar, e levá-los para o mundo real. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, e explicam o que o Gemini Robotics 2 muda na robótica.
A promessa é levar a autonomia que a IA generativa já mostrou no digital para o mundo físico: mais destreza nas mãos, corpos que se adaptam a mudanças no ambiente e até cooperação entre máquinas para concluir uma tarefa.
A gente só não tem isso ainda porque os robôs têm uma dificuldade muito séria e muito palpável: eles são muito úteis, mas desde que façam atividades repetitivas, pré-programadas, ou que sejam tele-operados pelos seres humanos, e o ambiente não pode mudar de jeito nenhum. Eu não conheço nenhum lugar fora de um laboratório que seja assim. Mas o Google inventou uma inteligência artificial muito diferente daquela que a gente usa no ChatGPT, no Claude e no próprio Gemini, que resolve esse tipo de coisa.
Helton Simões Gomes
São os modelos visão-linguagem-ação: em vez de processarem principalmente texto, o sistema usa o que o robô vê e ouve para calcular como moverá seu corpo, sendo capaz de traduzir mudanças no ambiente em movimento.
Um exemplo citado no programa é o Apollo 2, robô humanoide equipado com a família Gemini Robotics 2, que não só andar com desenvoltura, mas manipula objetos com mais precisão, algo que costuma travar robôs fora de tarefas previsíveis.
Apesar de a gente achar que é muito simples tudo que a gente faz com a mão, são coisas muito complexas. Todos os movimentos que a gente executa com a mão são muito difíceis de serem replicados. Então a destreza manual agora permite que esse robô faça movimentos de pinça, aplique pressão variável dependendo da sensibilidade do objeto.
Helton Simões Gomes
Diogo Cortiz explica que esse é um passo importante para a "IA física" ganhar corpo e lembra do paradoxo de Moravec: automatizar tarefas cognitivas pode ser mais fácil do que lidar com o mundo real, que exige sensoriamento fino, coordenação do corpo e respeito às leis da física.
O nosso corpo é muito fluido; levar isso para a robótica é muito difícil porque envolve entender a ação, coordenar diferentes partes e levar em consideração as leis da física.
Diogo Cortiz
O Google organizou a tecnologia em uma família de modelos de IA, de modo que esse avanço não é para todo mundo: parte está restrita a parceiros e empresas selecionadas, com um dos componentes acessível via AI Studio.
Mas a virada mais curiosa do papo vem quando Helton diz que a nova capacidade de adaptação pode acabar com um tipo de "teste" comum em vídeos de laboratório: empurrões e chutes em robôs para treinar equilíbrio em ambientes instáveis.
Acabou esse negócio de fazer bullying com robô. Os pesquisadores faziam isso pra treinar o equilíbrio, pra ver se eles conseguiam ainda assim concluir a tarefa. Spoiler: não conseguiam. Mas com a nova IA do Google, o Gemini Robotics, esse tipo de teste passa a ser desnecessário, porque a IA generativa começa a absorver as mudanças no ambiente para conseguir concluir a tarefa.
Helton Simões Gomes
Para o apresentador, a capacidade de se virar quando o cenário muda -como quando alguém tenta atrapalhar a tarefa- e de cooperar com outras máquinas reforça por que empresas olham para robôs como caminho para automatizar fábricas e linhas de produção.
China 'cria' cidade para 'ONU da IA' e enfrenta problema: robôs demais
A China usou a Waic (conferência mundial de inteligência artificial) para mostrar sua força na tecnologia e defender uma governança global de IA. Em Deu Tilt, Diogo Cortiz, que esteve por lá, conta o que o evento revelou —e o que preocupou.
Além de ter visto anúncios como a Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), apelidada de "ONU da IA", e de novos chips e modelos de IA, Cortiz diz que o pavilhão de robôs expôs um efeito colateral: empresas demais fazendo a mesma coisa, com níveis muito diferentes de qualidade.
É uma conferência gigantesca que a China organiza. Para mim, já é a maior do mundo. 350 mil pessoas participaram. A conferência era tão grande que tinha mais de 1.200 empresas expondo. Era como um grande centro de exposição empilhado em três andares e ainda assim não deu conta: usaram outros dois centros, fora eventos em hotéis.
Diogo Cortiz
Ataque rápido, perda de R$ 1.287 e vítima reincidente: o perfil do golpe
Golpes e fraudes na internet viraram o crime patrimonial mais praticado no Brasil, enquanto roubos do mundo físico caíram, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No novo episódio de Deu Tilt, Helton Simões Gomes conta como outro relatório traçou o perfil desses ataques no país, do prejuízo médio às vítimas preferenciais, passando pela velocidade com que os golpes são aplicados.
Enquanto caíram os roubos de veículos (20%), de transeuntes (23%), a estabelecimentos comerciais (18%) e de celular (18,6%), os golpes digitais subiram em 2025, mostra anuário. Somaram 2,2 milhões de ocorrências no ano passado. Já o relatório "O estado dos golpes em 2026", da Global Anti-Scam Alliance, mostra a cara das fraudes digitais no Brasil, após entrevistar 60 mil pessoas em 40 países, mais de mil delas no Brasil.
O relatório mostra que 81% dos brasileiros tiveram algum contato com o golpe. Isso quer dizer que durante o ano foram 202 tentativas de golpe [por pessoa]. Mas, quando você extrapola para a população, dá 34,5 bilhões de tentativas de golpe. (...) Não dá para você, humanamente, fazer quase 35 bilhões de tentativas de golpe. É muita coisa. Até por isso, os principais canais que os golpistas usam são aqueles que usam mensagens diretas.
Helton Simões Gomes
O que é a IAI?: Itaú adota IA pra cativar cliente e fazer Pix para ele
O Itaú colocou uma inteligência artificial dentro do aplicativo e quer transformar a IA no "primeiro contato" do cliente com o banco, com um botão flutuante que abre funções e orientações financeiras. Deu Tilt explica o que o banco busca com a IAI, como ela usa dados para personalizar respostas e por que o movimento pode se espalhar.
O Itaú quer fazer da inteligência artificial o primeiro contato que as pessoas têm com o banco. Por isso, eles colocaram no aplicativo um botão flutuante que, ao clicar nele, você tem acesso a diversas funções. A ideia é trazer para dentro do app a possibilidade de as pessoas realizarem tarefas que elas já estão fazendo do Itaú para fora, mas dentro de um espaço mais protegido, com mais confiança e com acesso aos seus dados.
Helton Simões Gomes
'Kimi K3, nova IA chinesa, dá carteirada ao mundo', diz Diogo Cortiz
O Kimi K3, modelo de inteligência artificial da chinesa Moonshot, entrou na disputa de "modelo de fronteira" ao se aproximar do sistema mais avançado da Anthropic e ao prometer acesso aberto e custos menores. No novo episódio, Deu Tilt explica por que o avanço chinês virou tema de segurança nacional e acendeu alertas nos EUA.
Tem hype e tem não hype também. De fato, o Kimi K3 é um modelo super avançado e traz uma eficiência no seu uso. Ele se igualou muito ao modelo de fronteira da Anthropic -um modelo tão avançado que o governo dos Estados Unidos proibiu o acesso a qualquer estrangeiro. Isso trouxe questões: essa IA é tão poderosa assim? A gente está na mão dos Estados Unidos? O Kimi vem nessa fronteira mostrando: "Cheguei". E não é só fazer algo parecido, mas com otimização maior, porque entra custo. Para diferentes tarefas, o Kimi pode ser até 70% mais barato.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.