Clube pede para sair da FFU e aponta conflito que deságua na CazéTV
O Operário-PR enviou hoje notificação extrajudicial à Futebol Forte União (FFU) e à Sports Media Entertainment, investidora do bloco, formalizando o desejo de sair da liga.
O clube paranaense apontou como uma das razões a existência de um conflito de interesses que deságua na transmissão do Brasileirão na CazéTV.
O Goiás também enviou comunicação formal, flertando com a saída e fazendo ameaças sobre outros aspectos. Mas o clube apontou o desligamento como algo condicional.
A movimentação vem a reboque de uma articulação nos bastidores para que os clubes se reúnam junto à CBF visando à formação de uma liga única.
O pedido do Operário pode ser o início de um efeito cascata, com mais clubes indo rumo à porta de saída da FFU.
A menção à CazéTV
O Operário-PR afirma que quer comprar de volta a integralidade dos direitos econômicos cedidos à investidora e pediu um retorno sobre o valor em um prazo de cinco dias úteis.
O clube paranaense aponta conflito de interesse na escolha feita pelo investidor para que a agência LiveMode fosse responsável pela comercialização dos direitos, já que a empresa "é sócia dos direitos de transmissão da FFU, é a comercializadora e é transmissora, via CazéTV".
A LiveMode é dona da CazéTV, após comprar a totalidade das ações, colocando Casimiro Miguel como sócio da holding global do grupo.
No documento enviado hoje, ao qual o UOL teve acesso, o Operário também menciona "excessiva concentração de poder na figura do investidor, que esvazia a capacidade deliberativa dos clubes sobre direitos que lhes pertencem".
Um outro aspecto apontado pelo Operário é o "controle exercido pelo investidor sobre os fluxos financeiros do bloco, que retira dos clubes a previsibilidade e a autonomia indispensáveis à sua gestão, fazendo do repasse dos recursos um instrumento de subordinação dos clube".
Goiás deixa condição
O Operário foi mais incisivo em sua notificação e chegou a mencionar que é "irrevogável".
O Goiás, no entanto, deixou uma porta aberta, dizendo que "o desligamento poderá ser evitado caso sejam promovidas alterações concretas e suficientes nas disposições contratuais e da convenção que restringem ou dificultam a saída e a migração de clubes".
O Goiás pediu que o condomínio da FFU e a empresa investidora (Sports Media) apresentem uma proposta em até dez dias úteis e esclareçam de que forma será assegurado o direito de livre desligamento dos clubes, reforçado pelo Cade.
"Não havendo, no prazo assinalado, a alteração das regras nos termos acima, o clube exercerá a decisão de desligamento", disse o documento do Goiás.
O UOL pediu posicionamento da FFU sobre as manifestações dos clubes, mas ainda não obteve retorno.