Claude terá 'marca d'água' que indica se texto ou arquivo foi criado com IA
A Anthropic vai passar a marcar textos e arquivos gerados por futuros modelos do Claude, em uma tentativa de atender às regras de transparência da legislação de IA da União Europeia, o AI Act.
O que aconteceu
Empresa diz que vai embutir marcas d'água em textos e metadados assinados em arquivos. "O texto gerado conterá marcas d'água embutidas, e os arquivos gerados incluirão metadados de procedência assinados digitalmente onde houver suporte", afirmou a Anthropic em um blog post no site da empresa.
Plano também inclui modelos já lançados, durante o período de transição previsto na lei europeia. A empresa diz que está trabalhando para adicionar a marcação de saída nesses sistemas enquanto as novas exigências entram em vigor.
Marcação deve valer para os modelos compatíveis em qualquer lugar onde o Claude esteja disponível. "A marcação será aplicada aos resultados de modelos compatíveis onde quer que o Claude seja oferecido, no mundo todo", disse a empresa.
Medida atinge produtos e serviços que usam os modelos da Anthropic, inclusive por terceiros. A companhia cita a aplicação no Claude Platform (API), Claude, Claude Code, Claude Cowork e Claude Tag, além de provedores como AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry.
Anthropic promete explicar como detectar as marcas, como exige a legislação da União Europeia. A empresa afirma que vai publicar documentação com orientações de verificação.
Como a marca d'água deve funcionar
Segundo a Anthropic, a marcação em texto será imperceptível e não mudará o conteúdo. "Quando um modelo Claude compatível gera texto, ele insere uma marca d'água imperceptível diretamente no próprio texto. Você não a verá, e ela não altera o significado, a qualidade ou a legibilidade da resposta do Claude", afirmou.
Empresa diz que a marca acompanha o texto quando ele é copiado e colado e pode resistir a algumas edições. "Como a marca d'água faz parte do texto, ela acompanhará o texto quando ele for copiado e colado em outro lugar, e poderá persistir após algumas edições. A marca d'água será aplicada no nível do modelo, o que significa que estará presente independentemente de qual produto ou interface do Claude o texto venha", completou.
Para arquivos, a ideia é usar metadados de procedência assinados digitalmente, quando houver suporte. A empresa afirma que vai seguir o padrão C2PA, usado para registrar origem e histórico de conteúdo digital.
Dúvidas sobre eficácia e impacto
Sem exemplos e detalhes técnicos, ainda não está claro o quanto as marcas serão difíceis de remover. Ferramentas de remoção de metadados já existem e um sistema de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) poderia, em tese, eliminar sinais discretos em textos.
Decisão pode incomodar parte de clientes do Claude e reforçar o apelo de modelos abertos. Alguns usuários não querem que leitores identifiquem a origem do conteúdo e lembram críticas anteriores a mudanças de preço, confiabilidade e salvaguardas que podem atrapalhar usos legítimos.
A própria Anthropic reconhece limitações do método de marcação. A empresa indica que a presença de marcas não prova de forma conclusiva que o Claude gerou o conteúdo e que a ausência delas não garante que inteligência artificial não tenha sido usada.
*Com informações do The Register