Chefão da IA diz que não quer filha em escola de elite: 'Não vai importar'
Uma declaração de Benjamin Mann, cofundador da empresa de inteligência artificial Anthropic, voltou a repercutir nas redes sociais. Em entrevista ao Lenny's Podcast em julho, ele afirmou que deixou de considerar escolas de elite e uma extensa lista de atividades extracurriculares como prioridades para a educação das filhas.
O que aconteceu
Mann revelou o que procura ensinar às crianças para ajudá-las a prosperar em um futuro cada vez mais marcado pela inteligência artificial. "Suponho que, se eu estivesse em uma época normal, como há 10 ou 20 anos, e tivesse uma filha, talvez tentasse prepará-la para frequentar uma escola de primeira linha e fazer todas as atividades extracurriculares. Mas, a esta altura, não acho que nada disso vá importar. Só quero que ela seja feliz, atenciosa, curiosa e gentil", afirmou.
Tenho duas filhas, uma de um ano e outra de três. Então, ainda estamos lidando com coisas bem básicas. Nossa filha de três anos já consegue conversar com a Alexa, pedir que ela explique algumas coisas, toque músicas e tudo mais. Ela está adorando Benjamin Mann, no Lenny's Podcast
A menina frequenta uma escola Montessori, modelo escolhido por Mann por valorizar a autonomia e a participação da criança no processo de aprendizagem. "Gosto muito do foco que o método Montessori dá à curiosidade, à criatividade e à aprendizagem conduzida pela própria criança", disse.
Mann também contou que a escola envia mensagens aos pais durante o dia para situações emocionais e conflitos com outras crianças. "Às vezes, eles dizem algo como: 'Sua filha discutiu com outra criança, teve emoções muito intensas e tentou usar as palavras'. Eu adoro isso. Acho que esse é exatamente o tipo de educação que considero mais importante. Os fatos vão ficar em segundo plano", declarou.
A avaliação sobre a importância das escolas de elite representa uma opinião pessoal do executivo. Durante a entrevista, Mann não apresentou estudos que demonstrem que instituições prestigiadas ou o aprendizado acadêmico tenham perdido sua relevância.
Benjamin Mann foi um dos arquitetos do GPT-3, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI e apresentado em 2020. Ele deixou a empresa no mesmo ano e passou a integrar o grupo fundador da Anthropic.
A Anthropic é uma empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. A companhia é responsável pelo Claude, concorrente de ferramentas como o ChatGPT.
Na entrevista, Mann afirmou que sua saída da OpenAI foi motivada por divergências sobre a prioridade atribuída à segurança. Segundo ele, o grupo que posteriormente fundaria a Anthropic queria continuar desenvolvendo pesquisas de ponta em inteligência artificial, mas dentro de uma organização que colocasse a segurança "acima de tudo", disse ao Lenny's Podcast.
Como funciona o método Montessori?
O método foi desenvolvido há mais de um século pela médica e educadora italiana Maria Montessori. A proposta coloca a criança no centro da aprendizagem e procura respeitar seu ritmo, seus interesses e a etapa de desenvolvimento em que se encontra.
Em uma sala Montessori, os estudantes podem escolher entre atividades previamente organizadas e avançar no próprio ritmo. O professor atua como orientador, observa o desenvolvimento de cada criança e oferece os materiais e o apoio necessários.
As turmas também podem reunir alunos de idades diferentes. A intenção é favorecer a cooperação, permitindo que os mais novos aprendam com os mais velhos e que estes desenvolvam responsabilidade ao ajudar os colegas.
Segundo a American Montessori Society (AMS), cinco componentes são considerados essenciais em um programa de qualidade. São eles: professores com formação específica, turmas com diferentes faixas etárias, materiais desenvolvidos para a aprendizagem prática, atividades conduzidas pelos estudantes e períodos de trabalho sem interrupção.
Esses períodos permitem que a criança se concentre durante mais tempo em uma atividade escolhida, em vez de precisar mudar de tarefa a cada sinal ou troca de aula. Os materiais costumam ser visuais e táteis, permitindo que conceitos sejam aprendidos pela experiência e pela descoberta.
O método não significa ausência de regras, de acompanhamento ou de conteúdo acadêmico. A Association Montessori Internationale (AMI) destaca que a construção do conhecimento e a formação acadêmica continuam sendo partes fundamentais da proposta, ao lado da criatividade, da autonomia e do desenvolvimento social e emocional.