Bolívia prende brasileiro suspeito de roubo de R$ 14 milhões orquestrado pelo PCC
A polícia da Bolívia prendeu um brasileiro suspeito de participar do roubo de R$ 14 milhões em uma aeronave pagadora no Aeroporto de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, em junho de 2024. A Polícia Federal confirmou a prisão, realizada em uma ação de cooperação policial internacional.
Segundo nota da PF, o suspeito teria participado do planejamento e da execução do roubo. De acordo com a nota, um mandado de prisão foi expedido pela Justiça brasileira contra o homem, que estava foragido desde julho de 2025.
Agora, as autoridades brasileiras devem adotar os procedimentos para transferir o investigado ao Brasil. Após a chegada ao país, ele ficará à disposição da Justiça.
A operação contou com apoio do Oficial de Ligação da Polícia Federal em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Polícia Boliviana.
Ataque em 2024 no aeroporto deixou quatro mortos
O assalto ocorreu em 19 de junho de 2024, quando nove criminosos armados invadiram a área restrita de segurança do aeroporto de Caxias do Sul. O grupo utilizou três veículos blindados, sendo dois deles com caracterização falsa, semelhante à das viaturas da Polícia Federal.
Os criminosos roubaram mais de R$ 14 milhões transportados por uma aeronave que havia partido de Curitiba. O dinheiro seguiria para abastecer um carro-forte.
Durante a fuga, houve confronto com forças de segurança. O sargento da Brigada Militar Fabiano Oliveira morreu, após ser baleado.
Mais três pessoas morreram no tiroteio, dois homens sem envolvimento com a ocorrência que estavam no aeroporto e um dos assaltantes. Outras cinco pessoas ficaram feridas, sendo que uma delas sofreu amputação dos dois pés após acionar um explosivo deixado pelos criminosos em uma via pública.
Investigação apontou organização em etapas
Após 70 dias de investigação, a Polícia Federal indiciou 17 pessoas em setembro de 2024 por envolvimento no ataque. A apuração identificou que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) chegaram ao Rio Grande do Sul antes do roubo e receberam apoio de criminosos locais.
Segundo a PF, o grupo dividiu a atuação em quatro etapas: planejamento, execução, fuga e retirada dos integrantes envolvidos.
A investigação apontou o uso de diversos equipamentos durante a ação, incluindo fuzis, pistolas, armas de guerra, munições, explosivos, bloqueadores de sinal, aparelhos telefônicos, radiocomunicadores, roupas táticas, veículos, placas falsas e esconderijos.
Outro suspeito foi preso no Rio Grande do Sul
Em outubro de 2025, a Polícia Federal prendeu outro suspeito apontado como participante do planejamento e da execução do roubo à aeronave pagadora. O homem foi localizado em Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul, após decisão da Justiça Federal.
Na ocasião, a PF também relacionou o investigado ao ataque contra agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em Araçatuba (SP), em 2021. O episódio envolveu explosivos, bloqueios de vias e confronto com forças de segurança.
Prisão na Bolívia ocorreu na mesma região onde líder do PCC foi capturado
O brasileiro suspeito de participar do roubo de R$ 14 milhões em Caxias do Sul foi preso no departamento boliviano de Santa Cruz, mesma região onde, em outro caso, autoridades capturaram Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do PCC.
Palermo foi preso no município de Cotoca, também em Santa Cruz, em uma operação da polícia boliviana com apoio da Polícia Federal brasileira, em maio deste ano. Ele acumulava condenações por tráfico, associação para o tráfico e pelo sequestro de um avião da extinta Vasp, em 2000, usado para roubar cerca de R$ 5,5 milhões do Banco do Brasil.