Apple fecha acordo de US$ 250 mi por exagerar em capacidades da Siri

6 de Mai de 2026 - 10:45
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Apple fecha acordo de US$ 250 mi por exagerar em capacidades da Siri

Apple concordou em pagar US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) para encerrar uma ação coletiva que acusa a empresa de ter exagerado, em anúncios, as capacidades de uma versão de Siri com inteligência artificial.

O que aconteceu

O acordo foi apresentado à Justiça federal do norte da Califórnia e ainda precisa de aval de um juiz. A audiência para análise está marcada para 17 de junho.

A proposta cobre cerca de 36 milhões de aparelhos elegíveis comprados nos EUA entre 10 de junho de 2024 e 29 de março de 2025. Entram na lista os iPhones 16 e os modelos iPhone 15 Pro e 15 Pro Max, conforme os documentos do processo.

Consumidores poderão receber um valor por aparelho, que varia conforme o número de pedidos aprovados. Os autos indicam que o pagamento pode ir de US$ 25 por dispositivo a até US$ 95 em alguns casos.

Apple negou irregularidades ao aceitar o acordo. O porta-voz Marni Goldberg afirmou em comunicado:"Desde que lançamos o Apple Intelligence, nós apresentamos vários recursos em muitas línguas que são integradas às plataformas da Apple. Queremos resolver isso [a ação] para nos concentrarmos no que fazemos de melhor, que é criar produtos e serviços inovadores para os consumidores".

A ação sustenta que a empresa vendeu recursos de IA como prontos quando ainda não estavam disponíveis. Em um dos trechos citados no processo, os autores afirmam que a Apple promoveu capacidades de IA que não existiam na época, não existem agora e não existirá pelos próximos dois ou mais anos".

Por que a propaganda virou alvo

As ações apontam que a campanha de 2024 sugeriu uma Siri mais "personalizada" e recursos de IA que não chegaram junto com os iPhones lançados naquele ano. Um dos processos diz que a empresa exagerou as "capacidades do iPhone 16 e enganou milhões de consumidores que gastaram centenas de dólares em u telefone com recursos que não existem".

Um órgão de autorregulação de publicidade nos EUA também questionou a mensagem de que a nova Siri com IA estava "disponível agora". Segundo o The Guardian, a National Advertising Division concluiu que a Apple sugeriu de forma incorreta que o recurso já podia ser usado.

Disputa na corrida global de IA

O acordo ocorre em meio à pressão sobre a Apple para acelerar sua estratégia de IA. O texto do processo menciona que a empresa não desenvolveu modelos próprios na mesma escala de rivais como o Gemini, do Google.

O cronograma de entrega dos recursos prometidos virou parte central das críticas. Os documentos citam que a Apple fez liberações graduais e chegou a desativar resumos de notificações após problemas, além de . Versão atualizada da assistente está prevista para ser lançada ainda neste ano.

O escritório que liderou a ação diz que o acordo tem efeito simbólico para consumidores. Ryan Clarkson, fundador e sócio-gerente da Clarkson Law Firm, afirmou: "Estamos orgulhosos deste acordo histórico em nome dos consumidores, que devem se sentir confiantes e protegidos ao decidir como gastar seu dinheiro, ganho com tanto esforço. Estamos em um ponto de inflexão em relação à IA, e as escolhas que empresas e reguladores fizeram agora moldarão a forma como essa tecnologia impacta as pessoas comuns".