Antes de Trump barrar, Deu Tilt usou IA poderosa: ?resolveu em 30 minutos?
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
O modelo Fable 5, da família Mythos, ficou disponível por poucos dias e saiu do ar após ordem do governo dos Estados Unidos para restringir o acesso de não-americanos. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam o que o modelo de inteligência artificial fazia e por que o bloqueio virou assunto global.
Como não tinha como identificar quem nasceu ou não no país presidido por Donald Trump, a Anthropic cortou o acesso de todo mundo para cumprir a determinação.
O modelo Fable 5 da Anthropic é muito poderoso. Os poucos minutos que eu consegui usar -até meus créditos esgotarem-- foram surpreendentes na capacidade. Eu tinha alguns problemas que eu estava tentando resolver já há algum tempo com o Opus, que é o outro modelo que está disponível para todo mundo. Ele conseguiu identificar e encontrar qual era o problema nessa migração que eu estava fazendo entre duas tecnologias. Me surpreendeu.
Diogo Cortiz
Cortiz diz que recorreu ao Fable 5 para adaptar um código usado em um experimento que identifica emoções em língua portuguesa em diferentes modelos de IA. A tarefa, segundo ele, travava na portabilidade dos dados de uma tecnologia para outra.
Era só para fazer um teste rápido, para ver qual era a capacidade, se ele identificava quais eram os gargalos. Em questão de 30 minutos, ele achou qual era o gargalo que a gente estava tentando resolver. Só que foi uma interação e acabou. Não acabou porque o Trump tirou [do ar]; acabou o nosso acesso
Diogo Cortiz
O pesquisador também descreve uma diferença prática entre chatbots "de conversa" e modelos mais avançados, orientados a resolver problemas. A potência do Fable 5 aparece quando a tarefa exige várias etapas e pode se estender por horas ou dias.
Esses modelos mais de fronteira são orientados muito para resolução de problemas, não para ficar de conversinha. Ele consegue executar, junto com ferramentas a que se conecta, tarefas muito complexas que podem demorar horas e talvez dias. Você coloca o modelo e ele vai executando, se conectando, gerando um código, executa aquele código, se conecta a outra API e ele vai se reconfigurando nessa etapa.
Diogo Cortiz
Para Helton, a estratégia da Anthropic ao anunciar o Mythos -e depois limitar o acesso- ajudou a criar uma demanda enorme por algo que quase ninguém podia testar. Para ele, a ordem de Trump reforçou essa mística, às vésperas de a empresa começar a oferecer suas ações na Bolsa.
Quando a Anthropic anunciou o Mythos, eu escrevi que foi, antes de tudo, uma grande jogada de marketing. Ela criou uma demanda gigantesca por um produto que ninguém sabia como era. E o que o Donald Trump fez agora foi renovar essa estratégia de marketing: ele falou que só americanos podem ter acesso. A Anthropic teve que desplugar o Fable 5 da tomada para todo mundo. E agora essa expectativa foi renovada.
Helton Simões Gomes
Mas Cortiz aponta um efeito colateral: ao bloquear o acesso de qualquer não americano, o governo dos EUA incentiva, indiretamente, empresas a buscarem alternativas fora do país. Ele diz que o gesto reacende a discussão sobre soberania e empurra olhares para modelos chineses, mais baratos e mais abertos.
Começa a criar esse ponto de interrogação na cabeça de todo mundo: eu vou depender de um modelo fechado que, dependendo do humor do presidente, da situação política ou de uma decisão econômica da empresa, pode remover o meu acesso? Então começam a olhar também para a China como uma possibilidade, uma alternativa efetiva.
Diogo Cortiz
UOL, Folha e OpenAI: como é o 1º acordo de licenciamento de IA no Brasil?
O primeiro acordo de licenciamento de conteúdo jornalístico para uma empresa de inteligência artificial no Brasil abriu uma fila de dúvidas práticas: o que a OpenAI pode usar, o que fica de fora e como isso muda (ou não) a relação do público com a informação.
No novo episódio de Deu Tilt, Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL, responde perguntas do quadro Help Desk sobre a parceria entre UOL, Folha e a OpenAI.
É importante esclarecer qual é o acordo. São dois acordos diferentes, mas muito semelhantes. Um é do UOL, outro é da Folha. São empresas diferentes, não é a mesma empresa. Então são dois contratos. E claro que os contratos se referem somente ao conteúdo produzido pelo UOL e pela Folha.
Murilo Garavello
Delay na CazéTV: cabo submarino explica mais o atraso do que rixa com Globo
O delay nas transmissões por streaming já é o personagem da Copa -e até motivo de briga de condomínio quando alguém assiste pela TV aberta e grita gol antes. No novo episódio de DEU TILT, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como nasce o atraso nas transmissões e por que ele não some.
Com Globoplay e CazéTV exibindo partidas via streaming de vídeo, o público passou a comparar, em tempo real, o sinal por ondas da TV aberta com a internet. A diferença, dizem os apresentadores, está no caminho físico dos dados e no "truque" do buffer para evitar travamentos.
O delay, do ponto de vista técnico, é a diferença entre, numa transmissão ao vivo, daquilo que acontece no campo e o que acontece na sua tela. A bola está rolando nos Estados Unidos, isso é filmado e vai para um servidor. O dado tem que passar por cabo submarino, aportar no Brasil em Fortaleza, descer para o Rio de Janeiro e entrar num data center. Depois, a transmissora empacota: narrador, logomarca, patrocinador. Quem está mais perto de São Paulo e Rio tende a receber antes. Depois, o dado vai para os hubs locais. Por isso, alguém em Campo Grande (MS) pode receber depois de alguém no Rio.
Helton Simões Gomes
Unico x Serasa: por que você deve se preocupar com o maior roubo de dados biométricos do Brasil?
Sabe o reconhecimento facial que você faz para abrir contas em bancos, perfis em lojas varejistas ou em planos de saúde? Essas imagens compõem um banco de dados biométricos que está no centro de uma das maiores disputas tecnológicas do Brasil.
No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como a briga judicial entre Unico e Serasa deveria preocupar todos os brasileiros.
Parece filme de espião, mas o caso está correndo na Justiça: a Unico, firma de verificação biométrica usada por bancos como Itaú e varejistas como o Magali, acusa a Serasa, um dos maiores birôs de crédito do país, de acessar seu sistema indevidamente e, na prática, roubar informações armazenadas em seus bancos de dados.
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.