Americanas rebate credores e diz cumprir plano de recuperação

9 de Jul de 2026 - 11:15
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Americanas rebate credores e diz cumprir plano de recuperação

As Americanas afirmou hoje que vem cumprindo integralmente todas as obrigações previstas em seu Plano de Recuperação Judicial (PRJ) e negou qualquer atraso ou falha nos pagamentos aos credores.

O que aconteceu

Manifestação das Americanas rebate questionamentos sobre o cumprimento do plano pela varejista. Por meio de comunicado ao mercado, a empresa diz que cumpre integralmente seu plano de recuperação judicial, negando atrasos nos pagamentos a credores.

Companhia aponta que menos de 0,3% dos credores se opuseram ao encerramento do processo. Empresa destaca que já tem pareceres favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial.

Segundo a companhia, alegações se referem a petições e questionamentos antigos apresentados por alguns credores. Americanas diz que essas discussões ocorreram antes do pedido de encerramento do processo de recuperação judicial.

Empresa afirmou que esses temas já foram analisados nos fóruns competentes. Varejista também destacou que concluiu todos os compromissos previstos para os dois anos posteriores à homologação do plano de recuperação.

Discussões são anteriores ao pedido de encerramento da Recuperação Judicial, os quais estão se aproveitando deste pedido para renovar suas oposições. Sebastien Durchon, diretor financeiro e de relações com investidores das Americanas

Nesta semana, credores contestaram saída das Americanas da recuperação judicial. Entre os principais que contestam o encerramento estão a K2 Partnering Solutions, a Rerum Engenharia de Sistemas, a Lindt & Sprüngli Brasil e bondholders, detentores de títulos de dívida da companhia.

Americanas pediu em março o fim de recuperação judicial após vender Imaginarium e Puket. Varejista protocolou o pedido na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A solicitação ocorreu dois anos após a aprovação do plano de pagamento aos credores e atende ao prazo mínimo legal exigido.

Movimento aconteceu no mesmo dia em que a Justiça homologou a venda da unidade Uni.Co. A compradora BandUP! ofereceu R$ 152,9 milhões pelas marcas Imaginarium e Puket e venceu a disputa após a desclassificação de uma oferta maior por descumprimento de regras do edital.

Companhia reduziu prejuízo no quarto trimestre para R$ 44 milhões. O balanço divulgado mostra uma melhora em relação ao resultado negativo de R$ 586 milhões registrado no mesmo período do ano anterior, impulsionado por um crescimento de 7,8% nas vendas das lojas físicas.

Contexto da reestruturação

Fim do processo marca uma etapa decisiva após descoberta de fraude bilionária. A crise gerou dívidas de R$ 42,5 bilhões, o terceiro maior rombo na história das recuperações judiciais no Brasil.

Rede sobreviveu mantendo lojas físicas abertas e reduzindo a operação digital. O número de unidades passou de 1.855 no início da crise para 1.470 no fim de 2025, com foco imediato na geração de caixa e corte de despesas.

Recuperação exigiu aportes bilionários e conversão de dívidas. Os acionistas de referência (Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles) injetaram R$ 12 bilhões, enquanto os bancos credores converteram outros R$ 12 bilhões de dívidas em ações da empresa.

Ministério Público e as administradoras judiciais avaliam o pedido de saída da recuperação. O juiz do caso deve intimar os órgãos em breve para que emitam pareceres sobre o encerramento do processo.