Agentes de IA invadem WhatsApp e são usados por 1 milhão no Brasil

3 de Ago de 2026 - 11:30
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Agentes de IA invadem WhatsApp e são usados por 1 milhão no Brasil

E, a julgar pela disseminação fulminante da última novidade por aqui, o país será mais uma vez um espelho a ser seguido pelos outros. Lançados globalmente apenas no começo de junho, os agentes de inteligência artificial para WhatsApp já são usados no Brasil por 1 milhão de empresas, contou Guilherme Horn, head do WhatsApp no país, em jantar com empresários, na última semana.

A portas fechadas e em encontro com executivos brasileiros, acompanhado por Radar Big Tech, Horn revelou um pouco da visão do app para os agentes, considerados a nova fronteira da IA, e deixou escapar como o uso de nomes no lugar do número de celular vai além da privacidade e se conecta à . Ele também fez previsões: se dormirem no ponto e não adotarem agentes de IA, empresas começarão, em dois anos, a ser preteridas por consumidores, pois conversas comerciais fora do expediente serão a norma. Responsável também pelas operações do app na Indonésia e na Índia, Horn fez questão de reforçar de onde a Meta espera que venham os próximos passos do serviço.

Seres digitais com autonomia para tomar decisões em nome de pessoas, os agentes de IA são o caminho para transformar o WhatsApp de vez em um balcão de atendimento sempre aberto, diz Horn:

  • O WhatsApp já alterou o comportamento de consumidores e empresas brasileiras ao fazer transações comerciais não só passarem pelo app, mas serem operações conversadas. A discussão de cada detalhe, do preço ao modo de entrega, torna mais humana a compra de um produto ou a contratação de um serviço, pois joga a ação para longe da frieza dos sites de comércio eletrônico;
  • Para Horn, a modalidade deu tão certo que "tem varejistas aqui no Brasil com até 8 mil pessoas respondendo mensagem no WhatsApp". E o movimento só não é maior, porque "o ser humano ainda é uma barreira", mas, conforme, o executivo, "com os agentes de IA, isso deixa de acontecer":

Os agentes podem atender 24x7, de forma ilimitada e isso tem um impacto muito grande no negócio
Guilherme Horn

  • E ainda prevê:

Eu arriscaria dizer que daqui a um ou dois anos vai ser difícil você encontrar um negócio que não seja 24x7. E o consumidor não vai aceitar falar com a empresa que não seja 24x7 pelo WhatsApp
Guilherme Horn

  • A aposta é na Meta Business Agent, , uma novidade para empresas de qualquer porte, que passam a contar com automação de respostas, recomendações e até vendas dentro do app. E, diante de uma plateia repleta de empresários, como Giovanni Marins Cardoso, presidente e fundador da Mondial, Horn deu dimensão do rápido alcance da iniciativa:

O objetivo é tornar mais fácil a implementação de uma agente real para a empresa. Já está disponível no Brasil, tem cerca de um milhão de empresas testando e algumas com resultados muito interessantes
Guilherme Horn

  • O head do WhatsApp no Brasil participou de uma mesa de discussões sobre comércio agêntico, promovido pelo Mercado & Opinião, Think tank fundado pelo empresário Marcos Koenigkan. Ao lado dele, estavam Fernando Nunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, César Gon, cofundador da CI&T, e Júnior Borneli, fundador da StartSe.

Recentemente, o WhatsApp liberou os usuários para reservarem como querem ser identificados no aplicativo. Não precisa ser o nome da pessoa, mas essa @ passará a substituir o número de celular como forma de contato na plataforma. Ou seja, em vez de chegar a alguém adicionando o celular, bastará saber a @ dele.

A combinação da identificação por nomes no WhatsApp com os agentes vai derrubar algumas barreiras para fazer do aplicativo uma espécie de central de contatos com empresas. "Isso vai permitir procurar uma categoria de negócios ou especificamente por uma marca", diz Horn.

Caso os planos da Meta deem certo, você vai procurar por uma empresa na busca do WhatsApp, mandar uma mensagem para ela, e a resposta virá de um agente de IA.

Na prática, isso dará um sentido comercial aos nomes no WhatsApp, anunciados apenas como movimento da Meta para reforçar a privacidade dos usuários, que hoje precisam ter os telefones expostos em conversas com desconhecidos. É certo que a nova função resguarda um dado tão sensível como o contato telefônico, mas não faz só isso.

Fazer esse arranjo dar certo no Brasil é crucial para a Meta, que vê no país o presente e o futuro da plataforma.

Agentes de IA não estarão apenas no WhatsApp, mas habitarão outros domínios da internet. À medida que as pessoas criarem seus próprios seres digitais autônomos e designarem a eles missões por toda a internet, as plataformas terão de mudar, reflete Guilherme Horn. Antes de assumir o cargo na Meta, ele já era encarado como um dos maiores especialistas em inovação do Brasil, com passagens por Ágora, Órama, Accenture e o conselho de administração do Banco do Brasil.

As empresas que se acostumaram a pensar no UX [experiência do usuário] agora vão ter que pensar no AIX, a experiência do agente. E isso tem algumas implicações. Por exemplo, a cartilha que sempre usaram com a gente não vai funcionar com os agentes. Você vai reservar um hotel no Booking, e sempre tem dois quartos disponíveis, com 13 mil pessoas olhando aquele quarto. Eu caio, mas o agente não vai cair nessa. Então, as empresas vão ter que entender qual é o processo que vai fazer o agente se interessar a agir
Guilherme Horn

Outra mudança, mas essa mais profunda, será a reconfiguração da estrutura interna das empresas. Para Horn, a revolução digital aumentou mercados, produtos e negócios. A IA aprofundará tudo isso, mas vai alterar a forma como as companhias se organizam. "Eu tinha um time de engenharia, um time de produto, um time de produto, tudo isso conectado. Hoje em dia com a IA, eu consigo desenvolver um piloto de produto, uma funcionalidade nova que eu não consigo distinguir quem está fazendo o desenvolvimento, quem está fazendo a infraestrutura. Está tudo junto", exemplifica.

O modelo organizacional é do Império Romano: a informação precisa subir para a decisão descer. Com a IA, isso deixa de acontecer
Guilherme Horn

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