Você treina IA e ganha R$ 0; veja como não trabalhar de graça para big tech
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; )
As big techs prometem gastar cifras recordes com inteligência artificial em 2026, mas o usuário segue no fim da fila quando o assunto é ganhar algo com isso. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam por que você treina IA e ganha R$ 0 e como fazer para reduzir essa colaboração involuntária.
O contraste aparece em duas frentes: de um lado, investimentos bilionários em data centers, chips e energia; do outro, demissões e a captura do trabalho e dos dados de usuários (e até de funcionários) para alimentar modelos e agentes de IA.
As quatro principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos juntas, e só nesse ano, só em 2026, elas prometem investir, em inteligência artificial, US$ 720 bilhões. (...) A Amazon é a empresa com o plano mais agressivo, porque ela promete investir US$ 200 bilhões em inteligência artificial. (...) A Microsoft elevou sua projeção para US$ 190 bilhões. (...) A Meta também tem um plano agressivo de US$ 145 bilhões. E o Google, a Alphabet, planeja investir US$ 190 bilhões aproximadamente.
Diogo Cortiz
Ao mesmo tempo em que o setor despeja dinheiro em infraestrutura -data centers, GPUs, refrigeração, terreno e energia—, também corta uma quantidade recorde de postos de trabalho só no começo do ano.
Em contraponto a isso, essas empresas, só nesse comecinho do ano, já demitiram mais de 100 mil trabalhadores. (...) Elas têm que tirar esse dinheiro de algum lugar e elas estão tirando o dinheiro que é para custear o pagamento de pessoas. Só que muita gente também está sendo contratada e está sendo paga a peso de ouro.
Helton Simões Gomes
Há, no entanto, um participante que, ainda que trabalhe, não vê retorno direto financeiro: você. Muitos modelos ficam melhores porque as interações e comportamentos das pessoas nas plataformas são usadas pelas empresas em seus produtos e serviços.
Não pingou nada na minha ou na sua conta e não pingou nada na conta de nenhum dos usuários das várias plataformas dessas empresas. Mas a gente trabalha para elas incansavelmente, porque muitos desses modelos só são bons do jeito que eles são porque eles lidam com as nossas interações, enquanto ficam vigiando como a gente se comporta com o mundo.
Helton Simões Gomes
No episódio, Helton detalha caminhos para reduzir o uso de dados no treinamento de IA em serviços populares.
- Abra o Gmail no desktop ou no aplicativo para iPhone
- Toque no ícone de engrenagem e
- Selecione Configurações ou Mostrar todas as configurações
- Role até a seção Recursos inteligentes
- Desmarque Ativar recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet
- Abra o e vá ao seu perfil.
- Clique nos três risquinhos (menu) e vá em "Sobre".
- Selecione "CENTRAL de Privacidade".
- Clique novamente nos três risquinhos e
- selecione "Outras políticas e artigos".
- Procure por "Como a Meta usa as informações para IA".
- Procure o link "Direito de se opor" (ou "direito de oposição").
- Preencha com seu e-mail e envie a solicitação.
- Abra o ChatGPT, seja no celular ou no computador;
- Vá até o menu no canto esquerdo.
- Toque no seu nome ou perfil
- Acesse "controlador de dados"
- Vá a "melhorar o modelo para todos" e desabilite a opção
No WhatsApp, não dá para tirar o botão da Meta AI, mas dá para fazer o assistente esquecer o que registrou a seu respeito: basta entrar no chat com @meta.ai e enviar o comando "\reset" para apagar as informações já submetidas.
Ainda sobre o trabalho humano por trás da IA, Diogo cita a compra da Scale.AI pela Meta. A startup recruta pessoas ao redor do mundo para rotular dados pagando uma mixaria. O treinamento das máquinas feito por humanos é tão vital que a empresa de Mark Zuckerberg passou a registrar cliques e digitação de funcionários para treinar IA.
Embora a Scale.AI tenha AI no nome, o que ela faz não é necessariamente desenvolver o modelo, mas ela tem a maior infraestrutura de treinamento a partir do trabalho humano
Diogo Cortiz
Mundo da tecnologia tenta convencer Igreja que IA pode ser filha de Deus
Empresas e pesquisadores de tecnologia tentam promover um casamento forçado entre religião e inteligência artificial e religião, que vai desde ensinar valores cristãos a chatbots até empregar robôs em rituais sagrados. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes contam como esse esforço não é isolado e ocorre dos EUA ao Japão.
A fé entrou em cena de dois jeitos: como material de treinamento para aumentar o alcance linguístico de modelos de IA e, mais recentemente, como tentativa de fazer sistemas como o Claude, da Anthropic, compreenderem moral, sofrimento e até estado espiritual de entidades sintéticas
Em 2023, a IA da Meta falava 100 idiomas e, de uma hora pra outra, passou a falar 1.100. O 'milagre da multiplicação' foi fazer a IA ler a Bíblia. A Bíblia já foi traduzida para mais de 3.500 idiomas; como tem várias versões, dá para verter de um idioma para outro treinando com ela; e as pessoas gravam muitas passagens em voz, então dá pra checar como elas falam. Só que, naquele momento, a IA da Meta aprendeu com a Bíblia apenas a linguagem, não absorveu valores morais. O que a gente tem visto agora é o contrário: uma tentativa de apregoar valores morais, valores humanos, à inteligência artificial.
Helton Simões Gomes
Startup brasileira usa brecha de big techs e cria detector de deepfake
Detectar se uma imagem ou um vídeo foi gerado por inteligência artificial virou um desafio central em ano de eleição, com a promessa de uma enxurrada de sátiras, personagens e deepfakes nas redes. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes discutem por que a tecnologia que cria conteúdo realista ainda não entrega, na mesma medida, um jeito confiável de identificar o que é sintético.
Helton afirma que não existe "teste definitivo" para cravar a origem de um conteúdo: as ferramentas, em geral, só estimam probabilidades. A aposta do episódio recai sobre um protocolo de origem e autenticidade - e sobre como uma startup brasileira decidiu usar esse padrão para tentar preencher uma lacuna deixada pelas big techs.
Detectar que um vídeo ou uma imagem foi feita com IA é 100% impossível. As ferramentas que existem, no máximo, indicam uma probabilidade de aquilo ter sido feito com IA. Ela encontra alguns traços digitais, mas fica nisso. Por causa dessa preocupação com autenticidade, empresas como Adobe, Microsoft, ARM e Intel se juntaram com a Truepic e com a BBC e criaram uma coalizão chamada C2PA, a Coalizão para Origem e Autenticidade de imagens. A ideia é criar um protocolo incluído em cada imagem fornecida, fabricada, modificada, editada pelos serviços das integrantes. É um rótulo: o C2PA.
Helton Simões Gomes
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.