Você não pode usar (ainda) nova IA poderosa do ChatGPT - e Trump é culpado

26 de Jun de 2026 - 17:00
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Você não pode usar (ainda) nova IA poderosa do ChatGPT - e Trump é culpado

A OpenAI começou a liberar uma nova família de modelos de IA, o GPT-5.6, mas por enquanto quase ninguém pode usar: o acesso inicial ficou restrito a um grupo pequeno de "parceiros confiáveis" aprovados pelo governo dos EUA. O clima em torno do lançamento mistura restrição e desconfiança: com modelos cada vez mais capazes em áreas sensíveis como cibersegurança, Washington quer segurar o volante - e isso acende o debate sobre até onde vai a segurança e onde começa o controle.

O que aconteceu

*A OpenAI anunciou um 'preview' (uma prévia limitada) do GPT-5.6, com três versões: Sol (a mais poderosa), Terra (equilibrada para o dia a dia) e Luna (mais rápida e barata).

*Segundo a empresa, o plano é liberar Sol, Terra e Luna de forma mais ampla nas próximas semanas - mas começando com um grupo pequeno de parceiros "confiáveis".

*A OpenAI diz que essa liberação em etapas atende a um pedido do governo dos EUA, que quer aprovar o acesso "cliente por cliente" durante o período de prévia, como relatado pelo The Information.

*A empresa afirma que mostrou com antecedência ao governo seus planos e as capacidades dos modelos e que está coordenando esse processo enquanto a Casa Branca desenvolve um marco (um conjunto de regras) para avaliar riscos de cibersegurança antes de lançamentos.

*No anúncio, a OpenAI destacou que o GPT-5.6 Sol vem com o "pacote de segurança mais robusto" da empresa até hoje, com camadas de proteção para reduzir pedidos perigosos - especialmente em temas como ataques digitais e uso repetido para abuso.

*A OpenAI diz que o Sol é melhor para ajudar a encontrar e corrigir falhas de segurança do que para executar ataques completos do começo ao fim, e que não ultrapassa o limite interno de risco crítico em cibersegurança no seu próprio sistema de avaliação.

*A empresa afirma que gastou cerca de 700 mil horas equivalentes de GPU A100 em testes automatizados para tentar "quebrar" as proteções (o chamado red teaming) e também contratou testadores externos para continuar avaliando o modelo durante a prévia.

IAgora?

O pano de fundo deste veto é a turbulência recente com a Anthropic: a depois de restrições envolvendo acesso por nacionalidade.

Na época, a motivação do governo norte-americano foi dúbia, visto que nos últimos meses a administração Trump se envolveu em sérios atritos com a dona do Claude. Agora, o "pedido" foi feito de forma direta e acatado pela OpenAI, que possui relações mais harmoniosas com as autoridades.

Se nos acostumamos recentemente a modelos de IA invadindo o mercado sem se importar com riscos ou áreas afetadas, agora o cenário já muda. A parte positiva é que a IA não está virando mais "terra de ninguém", muito embora ainda falte regulamentação e padronização para lançamentos da tecnologia.

Por outro, é discutível as motivações reais do governo Trump para a (rara) intervenção em companhias privadas: a segurança está em primeiro lugar ou podemos estar vendo uma "nacionalização" de tecnologias, criando um abismo cada vez maior mundial no acesso a IAs?

O que o mundo está dizendo sobre isso

Em meio a um pânico de segurança em Washington, D.C., a OpenAI dedicou a maior parte do seu anúncio a segurança e potencial uso indevido.
The Verge

Primeiro foram Fable 5 e Mythos 5. Agora é o GPT-5.6. O padrão é claro: os EUA estão decidindo ativamente quando e como a IA de ponta chega ao público. A justificativa é segurança, não restrição, mas o precedente está criado. À medida que os modelos se aproximam do nível do Mythos, o aval do governo pode virar uma nova etapa antes de uma liberação mais ampla.
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Isso marca a primeira vez que o governo dos EUA pediu de forma preventiva que uma empresa americana de IA restringisse o lançamento de um modelo antes da liberação.
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Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.