Verde amplia aposta na Bolsa brasileira e vê cenário favorável após eleição
O fundo Verde, gerido por Luis Stuhlberger, aumentou levemente sua exposição à Bolsa brasileira em setembro. Em carta mensal, a gestora afirmou que o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais melhorou as perspectivas para os investimentos no país, mas alertou para os riscos provocados pela alta dos juros no exterior.
O que aconteceu
Resultado das eleições favorece ativos brasileiros. Segundo o Verde, a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) e o avanço da direita no Congresso aumentaram as expectativas de maior controle dos gastos públicos e de uma queda mais acentuada dos juros. A gestora considera baixa a probabilidade de uma virada no segundo turno.
Mercado reagiu com forte valorização. Na segunda-feira seguinte à votação, o Ibovespa subiu 7,7%, o real ganhou 4,2% de valor e as taxas de juros de dez anos recuaram cerca de 1,35 ponto percentual, segundo a carta. O fundo afirma ter se beneficiado desses movimentos.
Mesmo após a disparada, o Verde vê menos riscos no Brasil. A gestora avalia que o cenário político ficou mais favorável aos investimentos. Outro fator positivo é que investidores brasileiros e estrangeiros ainda mantêm uma parcela relativamente pequena de seus recursos em ativos de maior risco, o que pode abrir espaço para novas compras.
Fundo manteve boa parte de suas posições. Além de ampliar levemente os investimentos em ações brasileiras, o Verde preservou suas aplicações em ouro, prata e crédito privado, assim como as estratégias de proteção contra perdas. Também manteve posições ligadas aos juros americanos e seguiu sem apostas direcionais na renda fixa brasileira.
Alta dos juros preocupa no exterior
Juros de longo prazo pressionam os mercados globais. Segundo o Verde, a taxa dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos subiu 1,30 ponto percentual desde março. Esses papéis são considerados referência para os investimentos em todo o mundo.
Conflitos internacionais e gastos com inteligência artificial ajudam a explicar o movimento. A gestora também cita o aumento dos gastos públicos e a política monetária dos Estados Unidos. Juros mais elevados tornam os investimentos considerados seguros mais atraentes e podem reduzir o interesse dos investidores pelas Bolsas.
Gestora vê sinais de fragilidade nos mercados internacionais. Embora os lucros das empresas ainda sustentem as ações, o Verde questiona até que ponto os investidores conseguirão absorver a alta dos juros sem uma correção mais intensa dos preços.
Desempenho do fundo
O Verde rendeu 0,26% em setembro, abaixo do CDI. O indicador, usado como referência para investimentos de renda fixa, avançou 1,08% no mês. No acumulado do ano, porém, o fundo registra valorização de 10,62%, ligeiramente superior aos 10,51% do CDI.
Ações brasileiras contribuíram para o resultado. O fundo também ganhou com operações que exploram diferenças de preços no mercado de juros. Já os investimentos em commodities, juros reais americanos e ações internacionais prejudicaram o desempenho em setembro.