Um poema para Pep Guardiola
Sempre haverá treinadores que ganham troféus.
Treinadores que constroem equipes bem-sucedidas.
Treinadores que deixam estatísticas para trás.
E então houve Pep Guardiola, que deixa memórias para trás.
"Futebol é chato" — ele leva a culpa.
Dez anos de corações azuis aprendendo que o futebol podia parecer voar.
Dez anos reescrevendo capítulos e quebrando recordes, dez anos de momentos que durarão a vida toda.
Eu me lembro de ser zoado por torcer pro City e agora as pessoas estão desesperadas para fazer parte da nossa história.
Dos dias em que ter esperança era perigoso, quando "típico City" ainda ecoava na nossa cabeça.
Mas, agora? Agora temos confiança, um estilo, uma identidade — tudo graças ao legado de um homem só.
Centuriões marchando para o Triplete.
Quatro títulos seguidos. Gols nos últimos minutos e se tornar campeões do mundo.
Não são mais sonhos, mas memórias.
Do tipo que fica costurado para sempre nas famílias.
Porque isso nunca foi só sobre futebol.
Eram pais levantando filhos nos ombros quando o Rodri marcou.
Tios e tias explodindo quando a torcida gritava.
Mães gritando na frente da TV.
Irmãos se abraçando no pub, primos celebrando nas baladas.
Avós chorando baixinho na poltrona, lembrando daqueles que não estão mais aqui, desejando que pudessem ver o City dominar o mundo.
E talvez seja por isso que isso dói tanto.
Porque como você se despede de alguém que te deu momentos que você vai repassar pelo resto da vida?
Como você explica para as gerações futuras como era assistir futebol jogado como poesia?
Como orquestras em azul celeste.
Como se cada passe significasse algo maior.
Como se cada temporada fosse uma sinfonia terminando num crescendo.
Rasgando livros e escrevendo novos capítulos. Pep tinha a caneta enquanto o gramado era seu papel.
Ele construiu um tempo nas nossas vidas.
E a verdade é que isso nunca será replicado.
Porque nós não estávamos só assistindo à grandeza.
Nós estávamos vivendo dentro dela.
O maior treinador que muitos de nós veremos na vida.
Mas não fique triste que está acabando.
*The Chubby Northerner é o nome artístico de Tom Stocks, um poeta, performer e artista de Manchester. É conhecido como "Pavement Poet" (poeta da calçada)que escreve mensagens positivas, inspiradoras e reflexivas com giz nas ruas, praças e calçadas para alegrar o dia das pessoas e promover bem-estar mental.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL