TSE atingiu um novo patamar de vergonha alheia com o Pilili

8 de Mai de 2026 - 06:15
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TSE atingiu um novo patamar de vergonha alheia com o Pilili

Sincronicidade. Mal termino de ver o vídeo do lançamento do mascote Pilili, com direito a Cármen Lúcia declamando seu enfadonho rosário de platitudes, e um amigo me manda uma mensagem dizendo que eu preciso, ênfase no preciso, escrever sobre o Pilili. Como o amigo também é chefe, e dos brabos, interpreto a mensagem como uma ordem. E agora eis-me aqui, escrevendo sobre o Pilili, que trato no masculino, mas é não-binário, e que custou R$6 milhões.

Mas o que é que eu vou escrever sobre o Pilili, meu Deus?! Quem se interessa pelo Pilili? Aliás, onde é que tem para vender uma versão joão-bobo do Pilili, só para eu me divertir no dia da eleição? Pilili cujo nome, já disseram e apenas repito, é apenas uma versão do banqueiro Daniel Vorcaro, ou do Cebolinha, para um desarranjo intestinal. Será que a democracia comeu algo estragado? Ninguém pensou nisso na hora de batizar o mascote? Se bem que, convenhamos, Pilili ainda é melhor do que ou qualquer coisa do tipo. Touché!

Zé Gotinha da Democracia

Mas vamos lá. Missão dada é missão cumprida e, se eu fosse falar sobre o “Zé Gotinha da Democracia”, diria que o Pilili é apenas mais um sintoma de uma sociedade infantilizada, na qual o Estado age como um pai que distrai a criança com um brinquedinho tosco. E olha que, em outro contexto, o mascote até seria admirável, porque mostraria que o Estado mantém um quê de ingenuidade e bom humor. Mas não no Brasil de 2026, que mais parece uma versão tropical de “O Senhor das Moscas”.

Além disso, e correndo o risco de soar repetitivo e já soando, o Pilili também mostra o tamanho do abismo que existe entre a classe governante e os anseios de um povo que desconfia, sim, de um processo eleitoral baseado exclusivamente na tecnologia. Um povo que não morre de amores pela urna eletrônica (longe disso!) e que clama por mais transparência. Clamor esse que é sonoramente ignorado por Cármen Lúcia & Cia. Ou melhor, que é sonoramente abafado por essa versão tupiniquim do canto da sereia tecnocrata: pililililililililililililililililililililililililililililililili.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista, crítico literário, escritor e tradutor. Publicou, entre outros livros, “Manuel Bandeira - A Vida Toda Que Poderia Ter Sido e Foi”, “O Homem que Matou Luiz Inácio” e “Desculpe & Outros Textos que Ninguém Vai Ler”. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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