Trump ameaça intervenção militar contra cartéis no México e diz que crime governa o país

8 de Mai de 2026 - 21:00
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Trump ameaça intervenção militar contra cartéis no México e diz que crime governa o país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8) que os cartéis do narcotráfico “governam o México” e voltou a pressionar o país vizinho por ações mais duras contra o tráfico de drogas. A declaração foi feita dois dias depois de Trump advertir que, se o México não fizer “seu trabalho” contra os cartéis, o governo americano fará. A presidente mexicana, a esquerdista Claudia Sheinbaum, rebateu a fala dizendo que seu país está “atuando” contra o narcotráfico e segue aberto à cooperação com Washington, desde que a “soberania mexicana” seja respeitada.

“Os cartéis governam o México, e ninguém mais. São os cartéis, simplesmente, que governam”, disse Trump. A declaração foi feita durante um evento do Dia das Mães na Casa Branca. Segundo o presidente americano, seu governo reduziu em 97% o tráfico de drogas por via marítima, mas os entorpecentes continuam entrando nos Estados Unidos principalmente pela fronteira terrestre com o México.

O combate ao narcotráfico tornou-se uma das prioridades do governo americano sob Trump. Washington já declarou os principais cartéis mexicanos como organizações terroristas.

Na quarta-feira (6), Trump ameaçou intervir militarmente no México para combater o narcotráfico. “A entrada de drogas por via marítima diminuiu 97%, e agora colocamos em marcha a força terrestre, o que é muito mais simples. Ouvirão algumas queixas de pessoas no México e em outros lugares, mas se não fizerem seu trabalho, nós o faremos”, declarou.

A nova tensão bilateral ocorre após uma operação antidrogas realizada em abril no estado mexicano de Chihuahua, com participação de agentes da CIA sem conhecimento prévio do governo federal do México.

Outro ponto de atrito envolve o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, aliado político de Sheinbaum. Ele foi acusado no mês passado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, junto com outras autoridades e ex-autoridades mexicanas, de crimes ligados ao tráfico de drogas e armas. De acordo com a Promotoria Federal do Distrito Sul de Nova York, os acusados teriam conspirado com líderes do cartel de Sinaloa para importar grandes quantidades de narcóticos para os Estados Unidos em troca de apoio político e subornos.

A Justiça americana afirma que Rocha Moya teria sido beneficiado por “Los Chapitos”, facção liderada pelos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán, durante sua eleição ao governo de Sinaloa, em 2021. Segundo a acusação, o grupo teria sequestrado e intimidado rivais políticos e recebido proteção em troca.

O governo mexicano afirmou que, embora os Estados Unidos tenham solicitado a detenção de Rocha Moya para fins de extradição, não apresentaram “elementos de prova”.