Sonda sul-coreana registra marca de colisão de foguete da SpaceX na Lua
Imagens feitas pela sonda lunar sul-coreana Danuri mostram a , que atingiu a superfície em 5 de agosto.
O que aconteceu
O registro foi divulgado pela Korea AeroSpace Administration (KASA) e reúne fotos de antes e depois do impacto perto da cratera Einstein. O objeto estava desgovernado e bateu no solo lunar a cerca de 8.700 km/h.
O artefato era o estágio superior de um Falcon 9 lançado em janeiro de 2025, em uma missão que levou ao espaço a nave Hakuto-R, da empresa ispace. A própria Hakuto-R também acabou caindo na Lua em uma tentativa de pouso malsucedida.
A KASA disse que o material publicado mostra que houve, de fato, uma nova marca na região, e alertou para desinformação nas redes. A agência afirmou em postagem no X que vídeos que circulam online e dizem mostrar o momento do impacto são falsos.
Observadores chegaram a apontar telescópios para tentar ver a colisão, mas o tamanho do evento dificultou o acompanhamento por amadores. David Rothery, da Open University, disse à New Scientist: "A Lua tem cerca de 100 milhões de crateras naturais nessa faixa de tamanho, então, no grande esquema das coisas, isso não é nada. Você terá várias por década desse tipo de tamanho se formando naturalmente".
A NASA estimava antes do choque que a cratera poderia ter cerca de 18 m de largura e 4 m de profundidade. Novas imagens de um orbitador lunar da agência americana devem detalhar melhor o local nas próximas semanas.
Por que a cratera não deve ganhar nome oficial
Após a divulgação das imagens, houve quem sugerisse que a nova marca recebesse um nome ligado a Elon Musk, dono da SpaceX. Astrônomos rejeitaram a ideia, e a União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) reforçou que o processo formal segue regras específicas.
Rita Schulz, que preside o grupo da IAU responsável por nomenclatura planetária, disse que impactos de espaçonaves não entram na lista de formações nomeadas oficialmente.
A nomeação formal de feições é restrita a formações geológicas naturais que servem a um propósito de referência cartográfica e científica de longo prazo para a comunidade global. Locais de impacto de espaçonaves frequentemente recebem apelidos informais ou nomes de trabalho por equipes de missão. A equipe da missão [da SpaceX] pode dar qualquer apelido que quiser, mas isso não se tornará um nome oficial
Rita Schulz, em entrevista à New Scientist.
Outra regra impede homenagens a pessoas vivas em crateras e outras feições. Schulz afirmou que, quando há homenagem a alguém, a pessoa precisa estar morta há pelo menos três anos.
O que a Danuri já observou na Lua
A marca aparece como uma mancha que pode ficar mais escura ou mais clara dependendo da imagem. A agência disse que ela não aparece em outras fotos da mesma área, o que reforça a relação com o impacto.
A Danuri também é chamada de Korean Pathfinder Lunar Orbiter (KPLO) e usa uma câmera de alta resolução, a Lunar Terrain Imager (LUTI), para registrar o terreno. A sonda foi lançada em 2022, também a bordo de um foguete da SpaceX, e orbita a Lua a cerca de 100 km de altitude desde dezembro daquele ano.
A missão, que inicialmente era prevista para durar um ano, teve a vida útil estendida. A operação do orbitador foi prorrogada até 2027.
*Com informações da New Scientist