Raízen vai seguir vendendo ativos para reforçar caixa, diz presidente
Raízen, empresa controlada pela Cosan e pela Shell, vai continuar se desfazendo de ativos para reforçar o caixa e aumentar a eficiência operacional, disse o presidente da empresa, Nelson Gomes, em teleconferência de resultados com analistas após a companhia reportar prejuízo trimestral de R$ 7,3 bilhões.
O que aconteceu
Raízen planeja manter política de venda de ativos que já somam R$ 12 bilhões. Em teleconferência de resultados, o CEO da empresa controlada pela brasileira Cosan e pela britânica Shell, Nelson Gomes, disse que a política de desinvestimentos continua sendo parte da estratégia para fortalecer o caixa e a eficiência.
Companhia busca reduzir a capacidade de moagem de cana-de-açúcar em busca de tamanho ótimo. Segundo o executivo, a empresa está em direção ao que considera o modelo mais eficiente do mercado.
A companhia se desfez de capacidade da ordem de 20 milhões de toneladas de moagem de cana-de-açúcar. Essa redução foi alcançada por meio de vendas de ativos e desmobilização..
A redução de capacidade faz parte da estratégia para cortar o endividamento. Os desinvestimentos da empresa totalizaram R$ 12 bilhões, disse Gomes. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões já entraram no caixa. Outros R$ 7 bilhões, gerados pelas vendas de ativos argentinos, devem entrar na companhia até o fim do ano-safra, disse o executivo.
Companhia assinou em junho contrato para venda de negócios da Argentina por US$ 1,42 bilhão. Pelo acordo, a joint venture entre a Cosan e a Shell para empresas controladas pela Mercuria Energy Group.
Processo vai priorizar organização e cautela. O CEO da Raízen destacou que a companhia não vai ser precipitada. Segundo ele, as vendas seguirão "de maneira ordenada e sem pressa", disse Gomes, destacando que a companhia não quer correr o risco de deteriorar os ativos que detém.
Seremos uma companhia menor em termos de capacidade. Buscamos ser um competidor mais eficiente. Nelson Gomes, CEO da Raízen
Prejuízo cresceu
Prejuízo da Raízen quase triplicou na comparação anual. A empresa que reúne a produção de açúcar e etanol da Cosan e a rede de postos de combustíveis da Shell fechou o quarto trimestre da safra 2025/26 com , ante perda de R$ 2,5 bilhões no mesmo período da safra anterior. No ano, a perda atingiu R$ 27,1 bilhões.
Companhia busca renegociar dívida bilionária. A Raízen conversa com credores, em meio à , sobre um plano de reestruturação que alivie a pressão da dívida de R$ 65 bilhões sobre o caixa, que perdeu R$ 9 bilhões, encerrando a temporada com saldo de R$ 13,6 bilhões.