Por que o ChatGPT não fará você ganhar o bolão da Copa do Mundo
(Toda semana, e conversam sobre tecnologia no podcast. O programa vai ao ar às terças-feiras no, no, no e no. Nesta semana: ; ; ; )
Com a Copa do Mundo prestes a começar, está declarada a temporada dos bolões -e muita gente vai tentar terceirizar o palpite para chatbots de inteligência artificial. No novo episódio de , o podcast do para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que o ChatGPT não fará você ganhar a competição de pitacos. Mas há uma IA improvável que costuma acertar os resultados do confronto mundial.
Ferramentas de IA baseadas em texto podem até soar convincentes na narrativa, mas não fazem o tipo de conta que realmente pesa numa previsão esportiva: simular partidas com estatísticas e dados de desempenho de times e jogadores.
O ChatGPT não serve para isso. Ele pode dar uma dica ou outra. Ele é um processador de texto, um modelo de linguagem. Para te dar essa resposta, ele vai processar textos escritos por outras pessoas: palpites, posts, análises. Mas ele não trabalha necessariamente com as estatísticas do jogo, nem faz simulação. Ele não está olhando individualmente para cada jogador, nem processando a estatística de um time contra a de outro. Ele está processando o que já foi publicado. Se você é totalmente leigo, pode te dar umas dicas.
Diogo Cortiz
Ainda assim, muita gente trata o chatbot como oráculo, ainda que ele não tenha sido desenhado para isso.
Tem muita gente que encara o ChatGPT como oráculo. As pessoas começaram a ver nele, pelo fato de ser capaz de responder algumas questões, a possibilidade de ele antever, prever e lidar com o que pode vir. Mas isso não é verdade.
Helton Simões Gomes
A expectativa equivocada de que a IA por trás de ChatGPT e similares sejam adivinhos até combina com um esporte como o futebol, conhecido por ser uma caixinha de surpresa. Mas esbarra na imprevisibilidade do jogo: o modelo "olha para o passado", aprende com dados já gerados e produz respostas a partir dessa base. Para eventos futuros, diz Diogo, são necessárias técnicas diferentes.
Por outro lado, usar o ChatGPT para escolher números de loteria não aumenta as chances de ninguém, mas também não atrapalha. Cortiz diz que, em um sorteio totalmente aleatório, tanto faz o palpite vir de um humano ou de um chatbot: a chance é a mesma -e pequena nos dois casos.
Já no futebol, apesar do "espaço para o acaso", há estatísticas que tendem a prevalecer, principalmente quando um time é muito superior ao outro, comenta Cortiz. Por isso, modelos que simulam confrontos a partir de métricas relevantes para o esporte têm mais chance de acertar do que um gerador de texto, como o ChatGPT.
É aí que entra a "IA improvável" citada no programa: uma projeção feita pela EA Sports, desenvolvedora do jogo de futebol antes conhecido como FIFA. Nas quatro últimas Copas, a empresa publicou previsões sobre os campeões e cravou o resultado de vários confrontos do mata-mata.
O que a EA faz é um sistema muito mais avançado: para construir o jogo, eles coletam muitos dados, não só do time, mas dados específicos de cada jogador. E eles fazem simulações: 'vamos rodar mil simulações' e ver quantas vezes um time vence. A partir disso eles chegam no resultado final e aumenta muito a probabilidade de acerto.
Diogo Cortiz
Helton destaca que, para o público, o realismo do game costuma aparecer nos gráficos e nos movimentos típicos de cada craque. Mas a coleta de dados individuais garante outra camada de precisão e de fidedignidade.
Mesmo assim, Cortiz pondera que acertar quatro Copas não "acaba com a graça", afinal probabilidade não é certeza. Um lance no fim do jogo pode mudar tudo, e estatística costuma ser contraintuitiva -mesmo quando um time tem 70% de chance, os 30% ainda podem acontecer.
Token Maxxing: nova febre eleva gasto com IA e gera saudade de demitidos
Uma nova febre do Vale do Silício tenta transformar gasto com IA em sinônimo de produtividade: quanto mais tokens um funcionário consome, mais ele é visto como eficiente. Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam como essa lógica já começa a aparecer em empresas e pode se espalhar para além da tecnologia.
A onda ganhou um nome -Token Maxxing- e tem efeitos colaterais: custos que explodem, pressão por desempenho e um debate sobre se faz sentido medir trabalho só por volume de processamento. Em alguns casos, a conta começa a rivalizar com o custo de contratar gente.
'Token Maxxing' é essa febre do Vale do Silício de produzir muita coisa com inteligência artificial, mas produzir de maneira insana mesmo. A palavra 'token' vem de como a inteligência artificial processa e como ela te cobra: por meio de tokens, que é uma palavra ou pedacinhos de palavra. Surgiu essa febre de eu colocar inteligência artificial para produzir, e eu vou contabilizando quanto de token eu processei. Isso está virando um sinônimo de produtividade: as pessoas começam a competir para ver quem produziu mais por meio da quantidade de tokens que ela processou.
Diogo Cortiz
Golpe digital: pena sobe, mas essas 7 dicas vão blindar sua vida virtual
A pena para golpes online subiu no Brasil, e a discussão agora encosta também nas plataformas digitais onde as fraudes circulam. No novo episódio de Deu Tilt, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam o que mudou na lei e como se proteger.
Os apresentadores descrevem uma "epidemia" de golpes digitais, com tentativas por ligação, sites falsos, e-mails fraudulentos e clonagem de aplicativos. Eles também listam sete passos para reduzir a exposição de dados, limitar prejuízos em caso de roubo de celular e juntar provas para responsabilizar criminosos.
Foi uma reforma do Código Penal que passou no finalzinho de abril e endureceu as penas para quem cometer golpes online no Brasil. [...] A pena para quem for condenado por esses crimes vai de quatro a oito anos mais multa
Helton Simões Gomes
Adeus, Deepseek: Doubao e Kimi, líderes na China, já batem IA da Anthropic
Pouco mais de um ano depois de o DeepSeek "mudar os parâmetros" do que parecia necessário para treinar IA, outros modelos chineses entram no radar ao disputar espaço com o Claude, da Anthropic, e ao dominar o uso no dia a dia.
Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que o Kimi virou alternativa competitiva em custo e como o Doubao virou "a saída" nos celulares da China.
O Claude trouxe uma nova perspectiva desde o fim do ano passado pra cá, do ponto de vista de criação de coisas: prototipar um aplicativo, gerar código, fazer apresentações. Só que ele tem um custo absurdo, um custo muito grande. O Claude consome os tokens muito rápido e, se você está usando API, vem uma conta depois do fim do mês, chega o boletão que fica difícil de pagar. Então, o que muitos desenvolvedores começaram a olhar é para outros modelos. A China tem um catálogo muito grande, mas um modelo que está se sobressaindo é o Kimi.
Diogo Cortiz
DEU TILT
Toda semana, e conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no e nas. Assista ao episódio da semana completo.