Petróleo encosta em US$ 110 após Irã dizer que manterá Hormuz fechado

29 de Abr de 2026 - 13:45
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Petróleo encosta em US$ 110 após Irã dizer que manterá Hormuz fechado

O petróleo voltou a se aproximar de US$ 110, em meio à incerteza sobre a reabertura do Estreito de Hormuz. Os receios foram ampliados com o anúncio de que o .

O que aconteceu

Petróleo engata nova alta e encosta novamente em US$ 110. O Brent, referência internacional para o combustível, subia 5,25% e era negociado a US$ 109,98 por barril no início desta tarde. Nos últimos dois dias, o contrato futuro do petróleo para entrega no mês de julho avançou 5,3%.

Mercado reage à declaração do Irã sobre o Estreito de Hormuz. Durante a madrugada, Teerã após o fim do conflito travado há dois meses com os Estados Unidos e Israel.

Petróleo acumula alta de 44% desde o início da guerra. Com as restrições à circulação pelo Estreito de Hormuz, o valor do barril do Brent saltou de US$ 72,48 para US$ 104,4. Na máxima desde o início da guerra em 27 de fevereiro, a cotação do petróleo encostou em US$ 120.

Por que Hormuz é tão estratégico

Estreito de Hormuz é um gargalo que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao oceano Índico. Antes do início da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava por ali, o que torna qualquer ameaça à navegação um problema com efeito imediato no mundo.

Importância do estreito vai além do petróleo. A avaliação é que uma interrupção ampla na passagem tem potencial de pressionar preços e afetar cadeias de abastecimento, justamente por concentrar parte relevante do fluxo marítimo de combustíveis e fertilizantes.

Hormuz se enquadra como estreito utilizado para navegação internacional. A passagem tem regras específicas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tratado, conhecido como Convenção de Montego Bay, prevê o regime de passagem em trânsito, que garante travessia contínua e rápida a navios e aeronaves, civis e militares, sem autorização prévia.

Pelo texto da convenção, países costeiros não podem impedir nem suspender a passagem em trânsito. O artigo 44 determina que não haja suspensão e que os Estados deem publicidade a perigos à navegação, enquanto o artigo 39 impõe aos navios o dever de não praticar atividades sem relação com o trânsito, como ameaça ou uso da força.

Mesmo sem ter ratificado a convenção, o Irã é apontado como obrigado a respeitar regras que viraram costume internacional. A avaliação é que disposições sobre estreitos são tratadas como direito internacional consuetudinário, reforçado por decisões anteriores da Corte Internacional de Justiça sobre passagem em estreitos internacionais.