Pela filha, ele faz algodão-doce artístico em eventos e fatura R$ 612 mil

20 de Ago de 2026 - 06:15
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Pela filha, ele faz algodão-doce artístico em eventos e fatura R$ 612 mil

Alírio Ribeiro, 38, tinha emprego formal e um negócio iniciante de algodão-doce artístico. Mas, quando sua filha nasceu e foi diagnosticada com autismo, ele largou a carreira e focou no seu negócio, para poder ter mais tempo para cuidar dela. Hoje, a Fios de Fada faz cerca de 30 eventos por mês, em média. Faturou R$ 612 mil em 2025.

Como o negócio começou

Alírio trabalhou mais de 15 anos na área de manutenção industrial. Em 2017, ele e sua esposa, Francielle, passaram por uma dor imensa: perderam a primeira filha, Sarah, durante o parto. "No processo de reconstrução emocional, comecei a pintar como hobby e assistia a muitos vídeos sobre arte. Em um deles, vi um chinês fazendo uma flor de algodão-doce. Achei aquilo bem artístico e enxerguei uma oportunidade de negócio", diz. Por mais de um ano, ele estudou o negócio e testou modelagens.

Em 2019, ainda no seu emprego formal, começou a fazer algodão-doce artístico para festas, esporadicamente. "Iniciamos de forma tímida a operação da empresa, realizando incontáveis testes até desenvolver técnicas próprias de produção e modelagem, praticamente inexistentes no Brasil naquela época", declara Alírio.

Veio a virada de chave. Meses depois, nasceu sua filha, Lara Vitória, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele largou a sua carreira profissional para poder focar no seu negócio e, com mais tempo, poder cuidar e ficar mais perto da sua filha. "A necessidade de acompanhá-la de perto fez com que eu repensasse completamente a minha carreira e buscasse um caminho para estar mais presente com minha família", diz Alírio. Hoje, Lara Vitória está com 7 anos.

Mas veio a pandemia. Com a interrupção no mercado de eventos, a empresa seguiu produzindo somente algodão-doce tradicional (só coloridos) sob encomendas. A retomou os eventos em 2021.

Bichinhos, corações e flores

A Fios de Fada fica em Curitiba (PR). É especializada em algodão-doce artístico, uma escultura produzida manualmente na hora, em diversos formatos. Faz dezenas de tamanhos e modelos. Os mais pedidos são os formatos de flores, corações, patinhos, cogumelos, passarinhos, porquinhos e chapéus. A marca tem outros produtos para festas, como pipocas gourmet doces e salgadas, cachorro-quente, maçã do amor e geladinhos e até algodão-doce tradicional (só coloridos), entre outros.

Em média, a empresa faz cerca de 30 eventos por mês. Em geral, são festas infantis, casamentos, feiras, eventos corporativos e ações promocionais. Os valores variam conforme a duração e a estrutura do evento. O ticket médio somente do algodão-doce artístico é de R$ 2.860; o da empresa é de R$ 1.380.

Em 2025, a empresa faturou R$ 612 mil. O lucro não é divulgado. O algodão-doce (artístico e tradicional) representa 60% do faturamento.

Outra fonte de renda. Alírio ensina a técnica do algodão-doce artístico, por meio de cursos e mentorias em grupos ou individuais. Os preços variam de R$ 1.299 (compilado de aulas online) a R$ 20 mil (mentoria individual).

O algodão-doce me deu agenda, me deu tempo. Meu maior ativo é ter mais tempo para cuidar da minha filha. Esse é o meu case de sucesso.
Alírio Ribeiro, fundador e diretor da Fios de Fada

Produto é copiável, diz analista

A trajetória dele agrega valor à marca. "Alírio Ribeiro começou a empreender por oportunidade, para ficar mais próximo da filha. Largou uma carreira profissional e foi atuar em um ramo diferente, pois quis levar essa experiência para outras pessoas. Isso agrega valor à marca", diz Antony Xavier, analista de negócios do Sebrae-SP.

Personalizar o algodão-doce artístico é ponto alto. Para o analista, essa versatilidade do produto ajuda a marca a ampliar seu público e fidelizar clientes. "A empresa tem a possibilidade de se adaptar de acordo com o tipo de evento, para levar uma melhor experiência aos clientes. Por exemplo: Para festas infantis, faz formatos mais lúdicos; para festas juninas, faz formatos com temática junina, e assim por diante. O cliente pode personalizar o doce, e isso é um diferencial", afirma.

A divulgação é boa nas redes sociais. Xavier diz que o próprio algodão-doce artístico já é um bom material de marketing. "O produto é instagramável, o que traz engajamento para a marca e, com isso, mais clientes", diz.

Cuidado com a concorrência. Por outro lado, diz o analista de negócios, o produto é fácil de ser copiado pelos concorrentes. "Para se diferenciar da concorrência, vale apostar em entregar cada vez mais experiências impecáveis para os clientes e até ampliar o portfólio", diz.

O número alto de eventos pode comprometer a qualidade. "Quando se faz muitos eventos por mês, é preciso não se descuidar da qualidade dos produtos e do atendimento e também ficar atento à vida útil dos equipamentos usados para fazer o algodão-doce. Para isso, faça sempre a manutenção preventiva para não ter problema na hora da festa", diz.

Equipes e processos devem estar alinhados. Outra questão, diz o analista, é fazer treinamentos constantes das equipes que vão trabalhar nos eventos e alinhar todos os processos. "A Fios de Fada deve ter o cuidado de levar a mesma experiência e a mesma qualidade de produtos a todos os lugares que a marca estiver", afirma.

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