Padre decide título em disputa de pênaltis e revela segredo da evangelização

15 de Jul de 2026 - 16:45
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Padre decide título em disputa de pênaltis e revela segredo da evangelização
  • Por Diego López Marina

  • Por Catholic News Agency

  • 15/07/2026 às 16:07

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Quando o sol se pôs atrás das colinas de Huancavelica, no coração dos Andes peruanos, a partida final terminou empatada. O resultado foi decidido em uma disputa de pênaltis. Cusco cobrou o primeiro pênalti, e tudo se resumiu à quinta tentativa. O goleiro de Huancavelica conseguiu defender a cobrança final de Cusco, deixando o resultado nas mãos — ou melhor, nos pés — do padre Santiago Salazar, do time da casa de Huancavelica. O sacerdote preparou sua corrida, esperou o apito e colocou a bola bem ao lado da trave. Com esse gol decisivo, a multidão explodiu em euforia: dezenas de seminaristas invadiram o campo enquanto padres de sete dioceses do sul do Peru celebravam a conquista do título de Huancavelica nas eliminatórias da Liga dos Campeões do Clero de 2026.

Em 2 de julho, mais de 150 padres das dioceses de Puno, Cusco, Abancay, Ayacucho, Huancavelica, Huancayo e Tarma participaram do torneio de futebol. Há uma década, o evento fortalece a fraternidade sacerdotal, promove vocações e serve como um lembrete de que o esporte pode ser um meio de evangelização.

Em entrevista à ACI Prensa, serviço irmão em espanhol da EWTN News, o padre José Raúl Ayuque Tornero, sacerdote da Diocese de Huancavelica e um dos organizadores do evento, explicou que a iniciativa surgiu da amizade entre padres que frequentaram o seminário maior em Abancay. Suas origens estão profundamente enraizadas na "fraternidade e amizade entre os padres", disse Ayuque. "No início, era simplesmente um encontro de amigos." O evento se tornou desde então uma tradição para as dioceses da parte sul do país.

Ayuque recordou com entusiasmo a partida final, que contou com a presença de famílias, padres e seminaristas. "A atmosfera foi extraordinária. Nossos seminaristas menores mantiveram os ânimos elevados durante todo o dia. Tivemos bandas marciais se apresentando do Seminário Menor São João Maria Vianney e da instituição educacional Teresa de la Cruz, administrada pelas Irmãs Canonesas", disse ele à ACI Prensa. As bandas forneceram acompanhamento musical e torceram igualmente por Huancavelica e Cusco enquanto as equipes se enfrentavam na partida final, que começou por volta das 17h.

Em Huancavelica, o sol se põe cedo devido à geografia da área, tornando a partida ainda mais emocionante. Os torcedores acompanharam cada jogada de perto, esperando por um gol. O final da partida não poderia ter sido mais emocionante: Cusco não conseguiu converter um pênalti contra o goleiro de Huancavelica, e todos os olhos se voltaram então para Salazar, que habilmente colocou seu chute fora do alcance do goleiro de Cusco e conquistou o campeonato. Uma celebração começou imediatamente no campo. Os padres cantaram o hino de São João Maria Vianney composto pelo falecido bispo emérito de Huancavelica, William Molloy.

"Em Huancavelica, temos um clero muito jovem, com idade média próxima aos 35 anos, e isso também se reflete no entusiasmo com que vivenciamos esses encontros", disse Ayuque. A cerimônia de premiação se seguiu. Abancay ficou em quarto lugar, Ayacucho em terceiro e Cusco em segundo, enquanto Huancavelica recebeu a taça. A Arquidiocese de Huancayo foi anunciada como sede das próximas partidas do campeonato. "Além da competição, vi alegria em todos — a alegria de compartilhar a missão que Deus nos dá como padres", comentou Ayuque.

Por sua vez, o árbitro Daniel Jorge Cruz Olarte observou que o aspecto mais gratificante de fazer parte deste torneio foi "ver como eles se respeitam". "São pessoas íntegras; eles respeitam o árbitro, respeitam seus companheiros de equipe e adversários, e vivenciam o esporte com espírito de fraternidade."

Embora agora reúna padres de sete jurisdições e até os bispos da região, a Liga dos Campeões do Clero começou de forma bastante simples. "Começou há cerca de 10 anos. No início, apenas Abancay, Ayacucho e Huancavelica — as mais próximas — participavam. Gradualmente, tomou forma e agora podemos dizer que este encontro se tornou uma tradição estabelecida nos Andes peruanos", explicou Ayuque. Ele disse que no futuro, a liga também gostaria de incluir as dioceses de Ica, Arequipa e Tacna "para que realmente represente todo o sul do Peru".

Para o padre, a Liga dos Campeões do Clero nunca foi apenas um torneio esportivo. "Esses encontros fortalecem nossa própria santificação como padres. Conhecemos padres mais velhos, mais jovens e recém-ordenados de diferentes origens, e vemos como o Senhor continua a chamar cada um em meio a circunstâncias variadas", disse ele. Ayuque afirmou que o esporte pode se tornar uma ferramenta autêntica para despertar vocações. "Nos ajuda a aprender a viver em equipe, a entender que a vida deve ser construída buscando a comunhão, sabendo como compartilhar, mostrar solidariedade e sempre sentir a presença de nosso irmão", disse ele.

O padre Doroteo Borda López, um dos participantes, destacou à ACI Prensa que a liga é uma experiência de comunhão. "É uma maneira de participarmos como padres de uma Igreja local e nos reunirmos. Encontrar-se com quase 150 padres e ver que o esporte une, cura e também faz parte da espiritualidade é algo muito valioso", disse ele. Para Borda, a Liga dos Campeões do Clero mostra aos jovens que a Igreja permanece viva e "que somos pessoas tão normais quanto qualquer outra". "No campo, ficamos com raiva, jogamos, corremos e temos nossas diferenças, mas depois continuamos compartilhando nossas vidas."

Ayuque disse acreditar que a maior lição da liga para os jovens é "mostrar-lhes que a missão do padre não se limita apenas à piedade ou à oração". "Todas as realidades da vida podem e devem ser oferecidas a Deus. O padre é chamado a levar a graça de Deus a todas as pessoas e a todos os empreendimentos humanos. É por isso que são necessários mais trabalhadores para a colheita, mais jovens que dediquem suas vidas", afirmou.

O padre também defendeu o esporte como parte necessária da formação integral. "Em nossos seminários, nos esforçamos para dedicar pelo menos uma hora por dia ao esporte, já que a pessoa humana é corpo e alma", disse ele. "O esporte disciplina o corpo, o torna mais ágil e ajuda a eliminar as toxinas do corpo. Quando nossa condição física é bem cuidada, também se torna mais fácil se envolver atentamente na oração e no encontro com Deus", disse ele.

"Um corpo negligenciado acaba influenciando também a vida espiritual... O Papa Francisco falou frequentemente da acídia, aquele tipo de preguiça espiritual que muitas vezes decorre de um corpo excessivamente confortável", acrescentou. "O esporte prepara nossa natureza para um encontro pessoal com o Senhor e nos ajuda a ver o mundo com maior alegria e otimismo", concluiu.

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