O que sabemos do foguete da SpaceX que colidiu com a Lua?
Um estágio superior do foguete Falcon 9, da SpaceX, acabou entrando em uma trajetória de colisão com a Lua e atingiu a superfície lunar na madrugada desta quarta-feira (5).
O que aconteceu
Foguete decolou em 15 de janeiro de 2025 levando dois módulos de pouso para a Lua. A missão transportou o Blue Ghost, da empresa Firefly Aerospace (do Texas), e o Resilience, da japonesa Ispace.
Impacto ocorreu por volta das 3h35 (horário de Brasília) desta quarta-feira. O estágio superior pesa cerca de 4.000 kg e estava viajando a uma velocidade de 8.700 km/h.
Tem imagem da colisão? Ainda não. Segundo a BBC, espaçonaves na órbita da Lua não estavam posicionadas para captar o local. Então, os cientistas devem analisar fotos do dia anterior com imagens atuais da região para verificar o impacto. Até o momento, há relato de um telescópio do Observatório Paranal, no Chile, ter detectado mudanças na luz na região da Lua. Mesmo assim, leva um tempo para ocorrer o processamento de imagens.
Missões de alta energia mudam o destino do segundo estágio, que não volta automaticamente para a atmosfera da Terra. O que ocorre é que missões para a Lua exigem tanta energia que o estágio pode permanecer em órbita altamente elíptica ou em trajetória translunar após liberar sua carga útil.
SpaceX afirma que executou o descarte, mas o estágio desviou para uma trajetória que cruza a Lua. A executiva Julianna Scheiman, da SpaceX, atribuiu o desvio a uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais, durante coletiva de imprensa na última segunda-feira.
NASA diz que o impacto não representa risco para o planeta. A agência afirmou que vai continuar rastreando o propulsor para treinamento e observar o local do impacto por razões científicas.
Por que esse impacto chama atenção
Colisões ajudam cientistas a entender como a superfície lunar reage e como materiais são lançados após um choque. O astrônomo Paul Wiegert, da Universidade Western Ontario, no Canadá, disse à CNN que o processo de ejeção de material ainda não é entendido em detalhe.
Com mais espaçonaves e futuras missões tripuladas, impactos entram no cálculo de segurança. Wiegert afirmou que detritos podem virar pequenas rochas em alta velocidade, comparáveis a balas, e que compreender esse comportamento ajuda a reduzir riscos, inclusive de missões humanas na Lua.
* Com informações de reportagens publicadas em .