O que é o Discord e por que Janja e famosos querem barrar o app no Brasil
O Discord, criado para reunir gamers, virou alvo de críticas após investigações e casos envolvendo adolescentes, incluindo do app no Brasil.
O que é o Discord
Discord é uma plataforma de comunicação que permite conversar por texto, voz e vídeo e fazer transmissões em tempo real. Usuários podem criar e participar de grupos chamados de "servidores", que reúnem canais públicos ou privados para mensagens, imagens, vídeos e compartilhamento de tela.
Aplicativo nasceu em 2015 como ferramenta para jogadores online, mas se transformou em uma rede social usada por comunidades de todos os tipos. A pandemia de covid-19 acelerou o crescimento e consolidou o uso por públicos juvenis.
Estrutura descentralizada dos servidores é apontada como um dos pontos de risco para menores. A criação de comunidades fechadas e a ausência de moderação ativa, citada por especialistas, abriram espaço para grupos que tratam de temas sensíveis e ilegais.
Discord acumula centenas de milhões de contas registradas no mundo e é especialmente popular no Brasil. Segundo o site Business of Apps, cerca de 560 milhões de contas registradas globalmente e 220 milhões de usuários ativos mensais, além de aproximadamente 56,4 milhões de contas registradas no Brasil.
Popularidade entre crianças e adolescentes ampliou o debate sobre supervisão e verificação de idade. O site também relata uso frequente por jovens de 10 a 17 anos, que veem o app como espaço para socializar, consumir conteúdo e até buscar vagas de trabalho. Casos de abuso, chantagem e indução à automutilação também já foram registrados no Brasil em servidores do Discord.
O que aconteceu
Morte de adolescente de 13 anos em Naviraí (MS) colocou o Discord no centro de uma crise recente. O caso ocorreu em 22 de julho e foi transmitido ao vivo; a transmissão durou 45 minutos e é investigada pela Polícia Civil.
Janja pediu bloqueio imediato do Discord e disse que o governo precisa achar instrumentos legais para tirar a plataforma do ar.
Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. É um apelo que eu faço", disse. "A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. [...] A gente precisa encontrar os instrumentos legais. [...] Este não é um caso isolado, são muitos e muitos casos e a gente precisa atuar com o Judiciário para tirar esse rede horrorosa do ar", afirmou, referindo-se à morte da menina. Janja
Primeira-dama voltou a defender que a plataforma seja banida e disse que a empresa seria "cúmplice" do que acontece no "submundo" do app. "O grupo responsável tem que ser criminalizado, mas a plataforma é cúmplice disso, e a gente precisa, urgente, encontrar os instrumentos jurídicos para essa plataforma ser banida do Brasil", disse em evento do MTST em Taboão da Serra (SP).
Luana Piovani também cobrou providências e questionou por que o serviço segue funcionando no país. "São centenas de relatos e vídeos desses grupos. Então por que não acabar com o provedor desses grupos", disse em vídeo.
Governo e órgãos públicos passaram a citar falhas de proteção de menores e a cobrar responsabilização. A AGU (Advocacia-Geral da União) disse que vai ajuizar ação civil pública contra o Discord para responsabilizar a plataforma.
Ministério da Justiça afirmou que o caso foi identificado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas e citou "falhas sistêmicas". A pasta mencionou problemas em mecanismos de proteção de crianças e adolescentes, incluindo a verificação de idade.
Por que o Discord entrou na mira de autoridades
A Operação Lívia, ação policial coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ministério da Justiça, mirou uma organização suspeita de aliciar crianças e adolescentes pela internet para violência psicológica, desafios extremos e automutilação. A ação foi motivada pela investigação da morte da adolescente de 13 anos em Naviraí e cumpriu sete mandados em cinco estados.
Polícia afirma que grupo recrutava jovens em situação de vulnerabilidade emocional e os colocava em grupos fechados. Segundo a investigação, depois de conquistar a confiança, os suspeitos submetiam as vítimas a coação, isolamento, humilhações e desafios de violência crescente, incluindo automutilação.
Equipamentos apreendidos na operação serão periciados para tentar identificar novas vítimas e outros integrantes. A polícia diz que a análise de evidências digitais já levou à identificação de uma segunda vítima em outro estado, com identidade preservada.
Janja citou o ECA Digital como base para cobrar responsabilização das plataformas. Ela disse que a norma, em vigor desde março de 2026, exige controle rigoroso de idade e remoção rápida de conteúdos ofensivos ou violentos.
ANPD abriu processo de fiscalização para apurar indícios de descumprimento de deveres previstos na legislação. A primeira-dama afirmou que o Discord não respeita o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.
* Com informações de reportagens publicadas em , , , e .