Nasa testa novo propulsor espacial que pode revolucionar viagens a Marte

8 de Mai de 2026 - 12:00
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Nasa testa novo propulsor espacial que pode revolucionar viagens a Marte

A Nasa está testando um novo propulsor eletromagnético que pode representar um passo importante rumo a futuras viagens tripuladas a Marte.

Além de ser mais potente, o sistema é capaz de impulsionar espaçonaves usando plasma de lítio em vez dos combustíveis químicos tradicionais.

O que aconteceu

Os primeiros testes do equipamento foram realizados no Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia. O chamado "propulsor magnetoplasmadinâmico alimentado por lítio" atingiu uma potência 25 vezes superior a dos motores iônicos usados atualmente.

Durante o experimento, o motor operou dentro de uma enorme câmara de vácuo desenvolvida especialmente para testes com plasma metálico. O interior do propulsor alcançou temperaturas superiores às da lava derretida e chegou a brilhar intensamente enquanto acelerava partículas ionizadas de lítio.

Principal objetivo da nova tecnologia é aprimorar futuras missões tripuladas para Marte. "O desempenho bem-sucedido do nosso propulsor neste teste demonstra um progresso real rumo ao envio de um astronauta para pisar no Planeta Vermelho", afirmou Jared Isaacman, administrador da Nasa, em comunicado.

Como funciona o novo propulsor

Sistema utiliza eletricidade e campos magnéticos para acelerar partículas de lítio. Segundo os pesquisadores, ele pode consumir até 90% menos propelente do que foguetes convencionais, que queimam combustível químico para gerar explosões.

Na prática, esses motores iônicos produzem menos força inicial, mas conseguem acelerar continuamente por longos períodos no espaço. Isso reduz drasticamente a quantidade de combustível necessária e pode tornar viagens interplanetárias mais rápidas e eficientes.

A Psyche, missão atual da Nasa, já utiliza propulsores elétricos movidos a energia solar para gerar impulso contínuo. O novo modelo, porém, substitui o tradicional gás xenônio por vapor de lítio como propelente.

Segundo os pesquisadores, o lítio permite alcançar níveis muito maiores de potência. Embora o conceito exista desde a década de 1960, ele nunca havia sido utilizado operacionalmente. O teste recente, no entanto, mostrou que a tecnologia pode finalmente se tornar viável no futuro.

É um momento importantíssimo para nós, porque não só demonstramos que o propulsor funciona, como também atingimos os níveis de potência que tínhamos como meta. James Polk, cientista pesquisador sênior do JPL

Agora, o principal desafio é aumentar a potência do sistema. Como o propulsor opera sob calor extremo, os engenheiros precisam comprovar que ele consegue funcionar de maneira confiável durante longos períodos no espaço.

Outro obstáculo é fornecer energia suficiente para motores tão poderosos. Atualmente, muitos motores iônicos dependem de painéis solares, o que limita o desempenho em missões mais distantes do Sol.

Por isso, a Nasa também trabalha em um projeto chamado Space Reactor-1 Freedom. Trata-se de uma nave equipada com um pequeno reator nuclear para alimentar esses propulsores no espaço profundo. O plano inicial prevê lançamento até 2028.