Montadoras pressionam governo contra isenção para elétricos importados
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) pressiona o governo para manter impostos sobre carros elétricos importados, contrariando o .
O que aconteceu
A Anfavea defende que o cronograma de impostos para carros elétricos importados seja mantido sem adiamentos. A associação afirma que as regras acordadas com o governo federal garantem estabilidade para os investimentos no país.
Segundo a entidade, algumas empresas usaram o período de tarifas baixas para estocar veículos de forma antecipada. Ela afirma que o estoque de carros importados atingiu o equivalente a 150 dias de vendas em maio.
A associação alerta que a importação massiva de peças desmontadas pode "destruir milhares de empregos". Um estudo estima prejuízo de R$ 96,8 bilhões para o setor de autopeças e perda de 68 mil vagas diretas.
As montadoras nacionais anunciaram investimentos de R$ 140 bilhões até 2033 no Brasil. A Anfavea destaca que esses recursos buscam ampliar a produção local de elétricos sem a necessidade de cotas livres de impostos.
A disputa pelas cotas de importação
A BYD tenta reverter a decisão do governo brasileiro que acaba com as cotas de importação livres de impostos. A empresa chinesa pede mais prazo de transição antes que a taxa de importação para os veículos importados alcance o limite de 35%, mudança que está prevista para entrar em vigor em julho de 2026.
O Planalto concedeu o benefício à BYD por seis meses e antecipou o imposto cheio de 2027 para julho de 2026. A disputa dividiu ministros no início do ano, antes de um acordo temporário. Houve uma oposição entre os ministros Rui Costa, que era a favor do pleito da BYD, e Fernando Haddad, que era contra a concessão do benefício para os importados.
A montadora ameaça aumentar os preços de três modelos caso o governo não reative os benefícios. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da marca, citou reajustes nos modelos Seal, Sealion e Atto 8.
Outras montadoras chinesas divergem da BYD e investem na produção nacional rápida. Empresas como Stellantis, Renault Geely, Caoa e GM avançam em projetos de fabricação local para nacionalizar componentes.