Mercado da bola se agita com Copa e vira selo de jogador 'cascudo'
Começou a Copa do Mundo e, com ela, a "outra" Copa: a dos jogadores que, graças a um bom desempenho pela seleção de seu país, acabam atraindo a atenção de clubes que se convencem e decidem contratá-los.
Em um futebol cada vez mais globalizado, os clubes já têm acesso a todas as informações necessárias antes de contratar um jogador. Ainda assim, em ano de Mundial, a maioria dos negócios vai esperar pelo que acontece em campo nos EUA, no México e no Canadá antes de concluir uma negociação.
O motivo é muito menos a qualidade do jogador, mas mais o selo de 'cascudo' que Copa do Mundo dá a um atlet.
Tanto diretores esportivos quanto agentes consultados pelo UOL citaram que Mundial é um contexto de pressão extrema, diferente de outros ambientes competitivos. Como os prospectos lidam com um país inteiro olhando para o seu desempenho, e não apenas seus próprios torcedores, é chave para essa avaliação final.
Além disso, os jogadores são testados contra os melhores do planeta. É nesse cenário que os clubes conseguem avaliar determinado atleta em condições de igualdade diante de estrelas de nível mundial. Afinal, se destacar no Brasileirão ou no Campeonato Argentino não é a mesma coisa que brilhar na maior competição do futebol.
A Copa do Mundo do Catar, em 2022, foi decisiva para dois jogadores. Enzo Fernández, da Argentina, foi eleito o melhor jogador jovem do torneio e conquistou o título mundial com sua seleção. Após uma negociação que durou mais de um mês, o Chelsea acabou contratando o meio-campista junto ao Benfica por 121 milhões de euros.
Outro exemplo foi Cody Gakpo. O atacante marcou três gols pela seleção dos Países Baixos, teve grande desempenho individual e, assim que a competição terminou, foi contratado pelo Liverpool em uma negociação relâmpago de 50 milhões de euros junto ao PSV.
Neste mundial, já temos exemplos de quem começa a aproveitar. O volante Ayyoubi Bouaddi dominou o meio-campo contra o Brasil e foi um dos melhores em campo no empate de Marrocos. Na semana seguinte ao jogo, surgiram sondagens de PSG e Real Madrid, por exemplo, para tirar ele do Lille, da França.
O mesmo aconteceu com Yan Diomandé, da Costa do Marfim, jogador mais perigoso na vitória por 1 a 0 sobre o Equador. Atacante do Leipzig, da Alemanha, ele já estava sendo observado pelo Liverpool, mas a performance na estreia do Mundial aumentou seu valor - e aumentou o número de clubes interessados.
Com a bola rolando na Copa do Mundo de México, Estados Unidos e Canadá, os clubes acompanharão tudo de muito perto. E será apenas uma questão de tempo para descobrir quem serão os "novos" Enzo Fernández e Cody Gakpo.