Mais velho que o Sol? Cometa 3I/Atlas tem química nunca vista
Um cometa vindo de fora do Sistema Solar pode estar carregando um verdadeiro registro da infância da Via Láctea.
O que aconteceu
Idade estimada surpreendeu os pesquisadores. Um novo indica que o objeto interestelar 3I/Atlas pode ter se formado há cerca de 11 a 12 bilhões de anos, tornando-se um dos corpos celestes mais antigos já analisados pelos cientistas.
A descoberta foi feita a partir da análise da composição química do cometa. O composto apresentou características nunca observadas em objetos do Sistema Solar. Segundo os pesquisadores, o 3I/Atlas preserva assinaturas químicas de uma época em que a galáxia ainda era muito jovem.
O estudo analisou isótopos de hidrogênio e carbono presentes na água e nos gases liberados pelo cometa. Os resultados mostraram uma quantidade excepcionalmente alta de deutério, conhecido como hidrogênio pesado, além de proporções incomuns entre os isótopos de carbono.
Essas características sugerem que o objeto se formou em temperaturas extremamente baixas, inferiores a 30 kelvin. Seria o equivalente a aproximadamente -243 °C, em uma região muito distante de qualquer estrela. Segundo os autores, esse ambiente preservou a composição química original do cometa durante bilhões de anos.
Fragmento de um sistema planetário antigo
Carbono ajuda a contar a história do cometa. De acordo com os pesquisadores, a composição isotópica do carbono indica que o 3I/Atlas pode ter surgido logo após um período intenso de formação estelar na história da Via Láctea.
Os autores afirmam que o 3I/Atlas representa "um fragmento preservado de um antigo sistema planetário". Segundo o estudo, sua composição química pode ajudar os cientistas a compreender as condições existentes na Via Láctea durante os primeiros bilhões de anos de sua formação.
Descoberta mudou a interpretação dos cientistas. Segundo o astrofísico molecular Martin Cordiner, do Centro de Voos Espaciais Goddard, da Nasa, as primeiras análises levantaram hipóteses de que o objeto pudesse se parecer com os cometas conhecidos do Sistema Solar. No entanto, as medições feitas posteriormente mudaram completamente essa interpretação.
Este foi um momento especial. Em meio a todos os rumores sobre tecnologia extraterrestre, uma forte narrativa científica estava surgindo de que o 3I/Atlas parecia se assemelhar muito aos cometas típicos do nosso Sistema Solar.
Martin Cordiner, ao ScienceAlert
O pesquisador explica que os dados obtidos pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram justamente o contrário. "As proporções isotópicas que medimos com o JWST mostram que ele não apenas é diferente, como provavelmente também é muito mais antigo do que o nosso Sistema Solar", disse ao ScienceAlert.
Para Cordiner, a descoberta muda a principal pergunta feita pelos astrônomos. "De repente, deixamos de perguntar 'isso é um cometa?' e passamos a perguntar 'o que esse objeto único pode nos contar sobre a história da nossa galáxia?'", afirmou ao mesmo veiculo.
Origem exata provavelmente nunca será conhecida
Embora os cientistas estimem que o cometa tenha entre 11 e 12 bilhões de anos, sua origem exata dificilmente poderá ser determinada. Segundo Cordiner, reconstruir sua trajetória é praticamente impossível devido à enorme complexidade dos movimentos das estrelas e das nuvens interestelares ao longo de bilhões de anos.
Hoje conseguimos reconstruir a trajetória do 3I/Atlas apenas até cerca de 10 milhões de anos no passado. Portanto, sua origem exata provavelmente jamais será conhecida.
Martin Cordiner, ao ScienceAlert
Atualmente, o 3I/Atlas segue deixando o Sistema Solar. Segundo Martin Cordiner, líder do estudo, o cometa deverá ultrapassar a órbita de Plutão em 2029 e deixar a heliosfera por volta de 2035, quando continuará sua viagem pelo espaço interestelar.