Justiça de Santa Catarina multa pais por falta de frequência escolar de filho
A Vara da Infância e Juventude de Joinville (SC) multou os pais de uma criança com síndrome de Down por não garantirem a frequência escolar do filho nos últimos três anos. A decisão, divulgada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), impõe o pagamento de meio salário mínimo e exige a regularização da matrícula em 15 dias, após o estudante ser reprovado por excesso de faltas.
Qual foi a justificativa apresentada pela família para as faltas?
Os pais alegaram que a instituição de ensino não oferecia o acompanhamento pedagógico adequado nem o atendimento necessário para as demandas específicas da criança. Além disso, os responsáveis relataram dificuldades práticas no dia a dia, como problemas com o transporte escolar, barreiras no processo de adaptação do aluno ao ambiente e um relacionamento desgastado com a própria escola. No entanto, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina afirmou que informações dos órgãos de educação indicavam a oferta de professor e atendimento especializado, sem evidências de maus-tratos.
Como especialistas diferenciam negligência de dificuldades de inclusão?
Especialistas apontam que a ausência escolar não deve ser vista automaticamente como negligência, sendo necessário analisar se a escola oferece condições reais de permanência. Isso inclui verificar a existência de planos de ensino individualizados, profissionais de apoio e um ambiente sensorialmente adequado. A diferenciação é fundamental para evitar que famílias que já enfrentam sobrecarga no cuidado de crianças atípicas sejam punidas injustamente por falhas do sistema educacional, embora a negligência efetiva também precise ser identificada para proteger o menor.
Quais são os principais desafios enfrentados pelas escolas no processo inclusivo?
As escolas relatam obstáculos para cumprir as exigências legais, especialmente pelo aumento da complexidade nas salas de aula que reúnem vários alunos com diferentes tipos de deficiência. Instituições privadas destacam a dificuldade financeira, já que a lei proíbe a cobrança de taxas extras para oferecer o suporte necessário. Há também um conflito sobre os limites da responsabilidade escolar: muitas vezes as famílias fazem pedidos que os colégios consideram extrapolar suas atribuições pedagógicas, gerando desgastes que prejudicam o desenvolvimento do estudante no dia a dia.
Qual é o impacto da falta de suporte adequado para as famílias?
Quando a inclusão não é estruturada de forma eficiente, o peso recai quase inteiramente sobre os familiares, provocando frustração e isolamento. Na prática, é comum que um dos responsáveis precise reduzir a jornada de trabalho ou até abandonar o emprego para acompanhar a criança, uma sobrecarga que atinge majoritariamente as mulheres. Defende-se que a inclusão deve ser uma política pública institucionalizada e integrada entre saúde, educação e assistência social, deixando de depender apenas do esforço individual ou do 'heroísmo' de mães e professores preparados.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.