Jogadores sofrem racismo nas séries B e C do Brasileiro: 'Chamou de macaco'
Neste fim de semana, casos de racismo contra atletas resultaram no acionamento do protocolo antirracista em partidas da segunda e terceira divisões do Campeonato Brasileiro. Os casos foram registrados em Amazonas x Ferroviária, pela Série C, e Juventude x Sport, pela Série B.
O que aconteceu
Dupla da Ferroviária foi alvo de ofensa racial em Manaus. O volante Fernandinho e o atacante Douglas Skilo denunciaram ataques de um torcedor do Amazonas, posicionado atrás do banco de reservas da equipe paulista, durante os acréscimos do primeiro tempo. A partida no estádio Carlos Zamith, neste domingo (24), foi interrompida por cerca de 15 minutos.
Atletas registraram boletim de ocorrência. Douglas Skilo falou sobre o episódio ao lado de Fernandinho, em vídeo publicado nas redes sociais do clube paulista:
[Racismo] é uma coisa que não deveria existir. Nós estávamos trabalhando lá honestamente, e receber esse tipo de insulto é muito difícil. Agora é deixar a Justiça ser feita e não deixar mais isso acontecer. Douglas Skilo
A Ferroviária também alega que sofreu com a falta de segurança no Carlos Zamith. De acordo com o clube, a abertura do portão de acesso ao gramado durante a paralisação causou um princípio de invasão. O juiz identificou, em súmula, que "uma pessoa com camisa de dirigente do Amazonas trouxe o torcedor [acusado] para os arredores do campo."
O Amazonas também se manifestou sobre o caso. Em nota, a instituição afirma que colaborou ativamente para identificar o autor das ofensas e escreve: "Não há espaço para o racismo no futebol, e nunca, jamais haverá dentro da nossa casa."
No futebol, quem venceu foi a Ferroviária, por 2 a 1. A partida foi válida pela oitava rodada da Série C do Campeonato Brasileiro.
Contra o próprio time
Na Série B, os ataques vieram de um "aliado". O atacante Marcos Paulo (MP), do Juventude, acusou um torcedor do próprio time gaúcho de ofendê-lo, aos 24 minutos do segundo tempo, após ser substituído, no Alfredo Jaconi.
O árbitro Lucas Paulo Torezin foi avisado e acionou o protocolo antirracismo. A súmula informa que jogadores reservas e membros da comissão técnica do Juventude deixaram a área técnica e indicaram um homem responsável pelo ataque ao colega. A transmissão da ESPN registrou uma discussão em frente às grades da arquibancada.
O atleta n. 10, Marcos Paulo Costa do Nascimento, da equipe mandante, que havia sido substituído minutos antes, dirigiu-se ao árbitro da partida e relatou o seguinte fato: "eu estava ali no banco de boa e ele veio e me chamou de "macaco". Trecho da súmula de Lucas Paulo Torezin
O Juventude se manifestou e indicou banimento do autor das ofensas. "Embora não seja sócio, o torcedor identificado terá seu CPF permanentemente bloqueado para a compra de ingressos para jogos do Juventude no Estádio Alfredo Jaconi. O silêncio e a omissão jamais serão opções diante de qualquer ato de discriminação", diz o clube em nota.
Em campo, a equipe da casa perdeu para o Sport, por 1 a 0. A partida foi válida pela 10ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.